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29/05/2010 - 13h27

(Entrevista) Futuro das relações entre Brasil e Colômbia deve ser decidido em outubro

ANSA
Por BEATRIZ FARRUGIA

SÃO PAULO, 29 MAI (ANSA) - O futuro das relações diplomáticas entre Brasil e Colômbia dependerá mais de quem será o sucessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva do que do resultado das eleições colombianas, que ocorrem neste domingo, afirmam analistas políticos em entrevista à ANSA.

De acordo com o especialista André César, da CAC Consultoria Política, para as relações com o Brasil, é indiferente a vitória de qualquer um dos dois candidatos mais bem avaliados segundo pesquisas de intenção de voto -- o ex-ministro da Defesa Juan Manuel Santos, do governista Partido Social da Unidade Nacional, ou o ex-prefeito de Bogotá Antanas Mockus, do Partido Verde.

Por outro, lado, se o pré-candidato do PSDB à Presidência, "José Serra vencer, possivelmente vai haver um aumento nessa relação, porque a Colômbia é vista, por Serra e seus aliados, como um local de combate, de fazer uma frente contra a esquerda populista", continua César.

Já a eventual ascensão da pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, não mudaria os laços com o país vizinho, pois ela deverá manter a política externa do atual governo. "A relação da Colômbia com o Brasil é cordial hoje, bastante em função de Lula, que é um líder global", observa César, que explica que o brasileiro "mantém uma relação cordial", mesmo que sua posição seja mais próxima à "esquerda populista do continente", como o boliviano Evo Morales, o equatoriano Rafael Correa e o venezuelano Hugo Chávez.

No entanto, o professor Luis Fernando Ayerbe, coordenador do Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais da Unesp, ressalta que, neste momento, é delicado analisar o futuro das relações bilaterais.

Para ele, ainda não está clara qual será a política externa de Mockus, caso seja eleito, ao contrário de Santos, que possivelmente manterá as diretrizes do atual chefe de Estado, Álvaro Uribe, o que não garante uma diplomacia mínima com os países da América Latina.

De acordo com Ayerbe, essa inexatidão dos planos de governo do candidato do Partido Verde deve-se, em parte, por sua abrupta ascensão na preferência do eleitorado, visto que não era esperado que o ex-prefeito de Bogotá fosse o principal adversário do candidato governista. Mockus "teve que assumir uma postura, se colocar no centro das atenções, e dar respostas a uma série de coisas", diz.

"Pensava-se que não seria o Partido Verde o adversário do partido do Uribe, mas sim o Pólo Democrático Alternativo, que deveria ser uma alternativa de esquerda, como o Partido dos Trabalhadores é no Brasil. Mas surpreendeu, e agora o que está se discutindo é o que Mockus representa, de fato, em relação a uma alternativa ao Santos", complementa Ayerbe.

Para o coordenador do Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais da Unesp, a única certeza em relação a uma possível gestão do Partido Verde é a amenização das tensões. "O grande conflito da Colômbia é com a Venezuela e o Equador, o que vai acontecer com a vitória do Mockus é que vai desanuviar a situação de tensão", observa.

Quito rompeu as relações diplomáticas com Bogotá após o Exército colombiano realizar uma incursão ilegal contra um acampamento da guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em território equatoriano, em 2008.

Caracas, por sua vez, congelou os laços com os vizinhos colombianos em 2009, quando o governo de Uribe acusou o seu par venezuelano, Hugo Chávez, de fornecer armamentos à guerrilha. A situação se agravou ainda mais com o descontentamento de Chávez com o acordo militar firmado entre Bogotá e Washington, que segundo ele ameaça a soberania da região.

"O que você tem, no caso de uma vitória do Partido Verde, é uma tentativa de flexibilizar as relações, por exemplo, com a Venezuela e com o Equador. Mas isso também depende da contrapartida desses dois países", completa César.

As eleições colombianas, que acontecem amanhã, elegerão o sucessor de Uribe, que deixará o seu segundo mandato consecutivo no mês de agosto. Além de Santos e Mockus, outros sete candidatos disputam a presidência.

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