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11/06/2010 - 09h05

Papa encerra Ano Sacerdotal pedindo desculpas a vítimas de pedofilia

ANSA
CIDADE DO VATICANO, 11 JUN (ANSA) - O papa Bento XVI pediu perdão às vítimas de abusos sexuais cometidos por membros do clero, ao falar sobre o papel dos padres na missa que marca o encerramento do Ano Sacerdotal e à qual compareceram cerca de 15 mil religiosos.

"Peçamos insistentemente perdão a Deus e às pessoas envolvidas" nos episódios de pedofilia, disse o Pontífice, assinalando a promessa de "fazer todo o possível a fim de que um tal abuso não possa acontecer nunca mais".

Ao abrir sua homilia na Solenidade do Sagrado Coração de Jesus celebrada nesta sexta-feira, o chefe de Estado do Vaticano definiu o Ano Sacerdotal -- iniciado em 19 de junho de 2009, por ocasião dos 150 anos da morte do Santo Cura D'Ars -- como um período no qual "vieram à luz os pecados dos padres, sobretudo o abuso junto aos menores".

Segundo ele, com os casos de pedofilia "o sacerdócio como responsabilidade do cuidado de Deus em vantagem do homem se volta em seu contrário".

"Na admissão ao ministério sacerdotal e na formação durante o caminho de preparação a isso, faremos tudo aquilo que possamos para avaliar a autenticidade da vocação", garantiu o Papa, apontando que a Igreja quer "acompanhar os sacerdotes em seu caminho para que o Senhor os proteja e custodie em situações penosas e nos perigos da vida".

O Pontífice declarou que os religiosos devem proteger a fé dos falsificadores e "contra as orientações que são, na realidade, desorientações". "Hoje vemos que não se trata de amor quando se tolera comportamentos indignos da vida sacerdotal", acrescentou ele, rechaçando que se deixe "proliferar a heresia, a distorção e a desintegração da fé".

"Senhor, na escuridão das tentações, nas horas de obscuridade nas quais todas as luzes parecem apagar-se, mostra-me que estás ali", orou Bento XVI.

Nos últimos meses, a Igreja Católica se viu envolvida em escândalos de pedofilia denunciados em diversos países, entre eles Irlanda, Alemanha, Estados Unidos, México, Itália e Brasil.

Esta não é a primeira vez que o Papa fala sobre as denúncias. Em março, em uma carta pastoral aos católicos irlandeses, ele se disse "envergonhado" pelos episódios de abusos cometidos por religiosos do país. Em abril, ao se reunir com vítimas de pedofilia em Malta, ele expressou "consternação" e "dor" por aquilo que elas sofreram.

Ainda na missa de conclusão do Ano Sacerdotal, o Pontífice pediu "solenemente" aos ordenados para serem "fieis às promessas, servir a Deus e ao povo com santidade e coragem, sempre conformando as vidas ao mistério da cruz de Deus".

O líder máximo da Igreja Católica também fez uma exortação, admitindo que a instituição foi golpeada pela crise das vocações sacerdotais e falando de "uma batida de Deus nos corações dos jovens que se consideram capazes daquilo que Deus os considera capazes".

Ao final da solenidade, Bento XVI dirigiu "um pensamento de especial reconhecimento" "aos senhores cardeais e aos bispos que quiseram estar presentes, em particular aos que vieram de longe", e uma "cordial saudação" aos prelados, sacerdotes e seminaristas de todos os ritos das igrejas orientais católicas".

Participaram da solenidade, entre outras autoridades da Santa Sé, o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone; o prefeito da Congregação para os Bispos, cardeal Giovanni Battista Re; e o decano dos cardeais, Angelo Sodano.

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