UOL Notícias Notícias
 

15/06/2010 - 11h12

"Último chefe nos deu um tratamento mais humano", conta ex-refém das Farc por 12 anos

ANSA
Em Bogotá

O general Luis Mendieta, que permaneceu 12 anos em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), contou que não esperava ser regatado pelo Exército no último domingo, e que não conseguiu dormir esta noite por estar desacostumado com camas confortáveis.

Em entrevista à Rádio Caracol dois dias após sua libertação, o oficial explicou que nunca perdeu a esperança de sair do cativeiro, mas achava que operações de resgate eram muito difíceis e, portanto, considerava pouco provável que conseguisse sua liberdade.

Segundo ele, há quatro dias foi possível ver um helicóptero sobrevoando o acampamento em que ele estava, e a maior preocupação dos reféns era a possibilidade de um bombardeiro.

Mendieta relatou que, quando os militares e policiais invadiram o local no domingo, alegrou-se e se jogou no chão para se proteger. "O mais importante foi me proteger com as árvores. Esta foi minha proteção em meio aos disparos", relembrou, explicando que "muitas vezes estive perto da morte devido às explosões e aos bombardeios".

De acordo com o ex-refém, no dia do regate havia oito guerrilheiros em seu cativeiro. Mas, no acampamento principal das Farc na selva colombiana, deveria haver outros 26 insurgentes.

Mendieta também afirmou que a atual liderança da guerrilha oferece melhores tratamentos às vítimas. "Temos que reconhecer que o último chefe nos deu um tratamento mais humano e nos levou a outro tipo de vida. Nos últimos dias consumimos verduras", contou, destacando que ele e seus companheiros de cárcere chegaram até a receber alguns exemplares de jornais e revistas.

Segundo o general, os reféns e os sequestradores trocavam constantemente de acampamento, nos quais ficavam por três a seis meses. As caminhadas para estas mudanças poderiam durar até 45 dias, mesmo com os guerrilheiros sendo capazes de transitar pela selva de forma "extremamente fácil".

Os carcereiros também eram trocados periodicamente, mas os reféns permaneceram algemados nos últimos cinco anos, de acordo com Mendieta.

Ao relembrar seus primeiros dias, o oficial contou que havia começado a escrever sobre o sequestro, mas que parou com o tempo. Para ele, o compartilhamento dos sofrimentos entre as vítimas foi fundamental para o grupo aguentar as más condições de vida.

O general, no entanto, informou que os outros três reféns resgatados com ele no fim de semana -- o coronel Enrique Murillo, o sargento Arbey Delgado Argote e o coronel William Donato Gómez -- estão com problemas de saúde.

O resgate de Mendieta, Murillo e Argote foi anunciado pelo presidente Álvaro Uribe no domingo, enquanto o de Gómez foi divulgado na manhã de segunda-feira. Ele estava junto com o trio, mas fugiu durante a ação dos militares, com medo de que a guerrilha o recapturasse.

Os quatro haviam sido sequestrados em 1998, durante ataques da guerrilha a bases militares e à cidade de Mitú. Mendieta era o oficial de mais alta patente em poder das Farc.

O resgate, parte da "Operação Camaleão", que contou com a atuação de 300 policiais e homens do Exército, ocorreu em uma área florestal nas proximidades da cidade de Calamar, localizada no departamento (estado) de Guaviare, no sudeste do país.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,31
    3,266
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    1,60
    62.662,48
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host