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19/06/2010 - 14h48

(Especial) Jogos da Copa podem atrapalhar segundo turno das eleições colombianas

ANSA
Por BEATRIZ FARRUGIA

SÃO PAULO, 19 JUN (ANSA) - Os jogos da Copa do Mundo 2010 podem aumentar o índice de abstenção no segundo turno das eleições presidenciais da Colômbia, que acontece amanhã, dia em que o Brasil entra em campo contra a Costa do Marfim.

"O Mundial de futebol e as férias escolares são efeitos negativos que alterarão parcialmente os resultados eleitorais do segundo turno", afirmou à ANSA o colombiano Jorge Gantiva Silva, professor da Universidade de Tolima.

Para Silva, este pleito pode ainda ser marcado por um "fenômeno contraditório": de um lado a "apatia cidadã" e, de outro, um possível "triunfo esmagador" do candidato da legenda governista, o ex-ministro da Defesa Juan Manuel Santos, que obteve 46,5% de votos no primeiro turno. Seu adversário, Antanas Mockus, do Partido Verde (PV), obteve apenas 21,5%.

Por outro lado, a especialista em desenvolvimento da América Latina Anapaula Iacovino Davila, da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), opinou que os jogos da Copa não devem provocar um aumento de abstenções, mesmo com "a enorme simpatia" que os colombianos nutrem pelos brasileiros.

"Os colombianos amam futebol, entretanto, não a ponto de se absterem. Os mais fanáticos comparecerão em horários diferentes dos horários dos jogos", avaliou Davila.

O especialista em Ciências Sociais Marcelo Santos, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), também descarta um cenário de baixo comparecimento às urnas devido ao campeonato desportivo. De acordo com ele, "talvez possa crescer a abstenção por outras razões", entre as quais a crença de parte dos cidadãos de que "a eleição já esteja decidida".

Segundo pesquisas divulgadas nos últimos dias, Juan Manuel Santos -- candidato do Partido Social da Unidade Nacional e que tem o apoio do atual presidente, Álvaro Uribe -- deverá ser eleito com mais de 65% dos votos.

Ontem, questionado pela imprensa local, ele afirmou que iria assistir ao jogo deste domingo. Já Mockus ressaltou que "o prioritário" para amanhã será "eleger o próximo mandatário".

Historicamente, a Colômbia, onde o voto é facultativo, possui índice de abstenção em torno de 50%. "Na reeleição de Álvaro Uribe [atual presidente], em 2006, por exemplo, a abstenção foi de 54%", relembrou Marcelo Santos.

"Marcada por divisões geográficas, regionais, culturais, sociais, políticas e econômicas que, na maior parte do tempo, foram equacionadas pela violência, a Colômbia tem um histórico democrático deficitário", justificou o especialista.

Na primeira votação, de acordo com os dados da Registradoria Nacional (órgão responsável pelo processo eleitoral na Colômbia), a ausência do eleitor continuou a ser alta, com um total de 14.764.362 votos dos 29.983.279 habilitados ao pleito.

Os mais de 71 mil centros de votação do segundo turno das eleições presidenciais colombianas abrirão às 8h locais (10h no horário de Brasília) deste domingo. Os primeiros dados oficiais são esperados a partir das 16h locais, horário de fechamento das urnas.

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