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25/06/2010 - 11h42

Vaticano exprime 'espanto' sobre abertura de tumbas em buscas da Justiça da Bélgica

ANSA
CIDADE DO VATICANO, 25 JUN (ANSA) - O Vaticano demonstrou "espanto" com a abertura de tumbas nas buscas feitas ontem pela Justiça belga no Arcebispado de Malines-Bruxelas, mas expressou "a firme condenação de qualquer ato pecaminoso e criminal de abuso de menores da parte de membros da Igreja".

Em um comunicado oficial da Secretaria de Estado, a Santa Sé também apontou "a necessidade de reparar e confrontar tais atos em conformidade com as exigências da Justiça e os ensinamentos do Evangelho".

De acordo com a imprensa da Bélgica, as procuras feitas na sede do arcebispado e que se seguiram a novas denúncias contra padres do país se estenderam à cripta da catedral Saint Rombout, em Malines. Os policiais estariam à procura de um dossiê sobre pedofilia que estaria escondido em uma tumba.

A Secretaria de Estado exprimiu "vivo espanto pela modalidade com a qual foram feitas algumas buscas conduzidas ontem pelas autoridades judiciárias belgas e seu ressentimento pelo fato de que tenha sido realizada a violação das tumbas dos cardeais Jozef-Ernest Van Roey e Léon-Joseph Suenens, falecidos arcebispos de Malines-Bruxelas".

A nota do Vaticano comentou a ação expressando "pesar" contra "algumas infrações à confidencialidade" "à qual tem direito as vítimas pelas quais foram conduzidas as buscas".

De acordo com o comunicado, as opiniões foram discutidas pessoalmente pelo secretário do Vaticano para as Relações com os Estados, Dominique Mamberti, e pelo embaixador da Bélgica junto à Santa Sé, Charles Ghislain.

A Igreja belga é uma das atingidas pelos episódios de pedofilia denunciados em várias partes do mundo recentemente e que teriam sido cometidos por religiosos. Em abril, o ex-bispo de Bruges Roger Vangheluwe teve sua renúncia aceita pelo Vaticano após enviar à Santa Sé uma carta na qual admitiu ter abusado sexualmente de uma criança durante anos.

Também houve suspeitas de que o cardeal Godfried Danneels, que chefiou a Igreja da Bélgica entre 1979 e 2009, teria sabido dos abusos cometidos nos anos 1990 por Vangheluwe, o que foi rechaçado pelo religioso. Ainda hoje, a Santa Sé divulgou uma nota informando que o papa Bento XVI nomeou Jozef De Kesel como novo bispo de Bruges.

A busca por documentos na sede do arcebispado belga foi condenada pela Conferência Episcopal do país. De acordo com o porta-voz da entidade, Eric de Beukelaer, a medida "vai contra o direito à reserva do qual devem ser beneficiadas as vítimas" de pedofilia. "Não foi uma experiência agradável, mas tudo se desenvolveu de modo correto", disse ele.

Por sua vez, o primaz da Bélgica e atual arcebispo de Malines-Bruxelas, André Joseph Leonard, afirmou que a magistratura "tinha o direito de fazer aquilo que desejava", mas que ficou "chocado" pelo método adotado.

Leonard enfatizou que durante as procuras "foram abertas tumbas da catedral e confiscados computadores e contabilidade com a administração de pessoal".

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