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08/07/2010 - 17h20 / Atualizada 08/07/2010 - 18h17

Governo do Chile apoia decisão da Justiça contra ex-repressores

ANSA
SANTIAGO DO CHILE, 8 JUL (ANSA) - O governo chileno expressou hoje seu respaldo à decisão definitiva da Suprema Corte do país em relação aos ex-membros da Dina (polícia secreta de Augusto Pinochet), culpados pelas mortes do ex-general Carlos Prats e de sua esposa, Sofía Cuthbert.

O ministro da Justiça, Felipe Bulnes, expressou ainda a solidariedade em nome do governo às filhas do general, "não somente pelo que viveram, mas também porque estiveram buscando justiça por mais de 30 anos e hoje finalmente foi estabelecida justiça definitiva pela Suprema Corte".

Bulnes considerou que, desta maneira, "são geradas condições para que seja produzido um reencontro entre os chilenos". Ele também argumentou que "a justiça e a verdade são estabelecidas através destas resoluções".

Após adiar por três vezes, o máximo tribunal chileno anunciou hoje a sua decisão, atenuando as sentenças contra os ex-repressores que haviam sido condenados em primeira instância à prisão perpétua pelos assassinatos de Prats e Sofía, em 1974, em Buenos Aires. Com o novo julgamento, os ex-agentes -- entre eles Manuel Contreras, ex-chefe da Dina -- tiveram suas penas reduzidas e foram sentenciados a 17 anos de prisão.

Consultado sobre a demora de 36 anos para estabelecer uma sentença final sobre o caso, o ministro disse que o Executivo está planejando uma reforma para que a Justiça, em casos como este, "chegue na oportunidade requerida".

No Legislativo, o deputado do Partido Democrata-Cristão (PDC, de oposição) Gabriel Ascencio expressou a necessidade de esclarecer a participação de autoridades civis da ditadura e de identificá-las devidamente.

"Gostaria de ver as autoridades políticas civis que acompanharam a ditadura militar, muitas das quais hoje formam parte do governo, condenando esses crimes e, além disso, saber quem esteve realmente por trás das ordens", reclamou, fazendo alusão a membros do gabinete de Sebastián Piñera, que teriam vínculos com Pinochet.

Já a senadora Isabel Allende, do Partido Socialista (PS, de oposição), disse que além do crime cometido contra um ex-membro do governo do seu pai, o ex-presidente Salvador Allende (1970-1973), "o mais dramático é que foi feito pelos seus próprios pares".

"Estamos falando de generais do Exército, e todos sabemos que obviamente quem enviou a ordem foi Pinochet, mas evidentemente não podemos julgar alguém que já faleceu", completou, referindo-se ao ex-ditador que governou o Chile entre 1973 e 1990.

Mais cedo, as filhas de Prats aceitaram a decisão, dizendo-se "conformadas". Sofía, uma das três filhas do casal, considerou que "o importante era que os fatos fossem estabelecidos".

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