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09/07/2010 - 16h08 / Atualizada 09/07/2010 - 16h20

Para filha de Prats, julgamento provou 'autoria de Pinochet' em morte de general

ANSA
SANTIAGO DO CHILE, 9 JUL (ANSA) - Uma das filhas do general chileno Carlos Prats, María Angélica, declarou hoje que o processo judicial finalizado nesta quinta-feira sobre as mortes de seu pai e de sua mãe, Sofía Cuthbert, "provou a autoria intelectual de Augusto Pinochet" no caso.

"A juíza argentina María Servini de Cubría chegou à convicção de que Pinochet [ditador que governou o Chile entre 1973 e 1990] é parte dessa trama e autor intelectual", disse ela à ANSA, após qualificar de "absolutamente vital" o papel desempenhado pela magistrada no processo.

Os assassinatos de Prats, que integrava o gabinete do ex-presidente Salvador Allende, e de sua esposa foram registrados em 1974 em Buenos Aires, como parte da Operação Condor -- estratégia conjunta das ditaduras militares do Cone Sul nas décadas de 1970 e 1980, que perseguia opositores aos regimes.

Servini de Cubría iniciou a investigação do crime e, em 2001, chegou a pedir a extradição de Pinochet e da cúpula da Dina (polícia secreta do regime militar). Apesar de Suprema Corte de Justiça chilena ter rejeitado a solicitação, se comprometeu a abrir o processo.

Segundo a filha de Prats, o caso estava "praticamente adormecido" na Argentina antes da interferência da magistrada, e as atitudes tomadas pela juíza foram "fundamentais". "Por isso, fizemos ontem o gesto de ir à Embaixada da Argentina agradecer, porque não queremos perder de vista que este julgamento foi argentino. A parte chilena foi o final", assinalou María Angélica.

Ela expressou conformidade em relação à sentença anunciada ontem pelo tribunal máximo do Chile, que decretou 17 anos de prisão sem medidas alternativas ao ex-general Manuel Contreras e ao ex-brigadeiro Pedro Espinoza pela autoria dos crimes. Anteriormente, Contreras, ex-chefe da Dina, havia sido condenado a uma pena dupla de prisão perpétua devido às mortes.

Sobre a diminuição das condenações dos principais acusados, a filha de Prats apontou que a decisão está de acordo "com haver cumprido o que prometemos a nossos pais e ter chegado a esta verdade jurídica".

"Estabeleceu-se que a Dina foi uma associação ilícita, o que vai colaborar com a forma com que se conduzir outros julgamentos em que ela também estiver envolvida", explicou.

Por sua parte, uma das irmãs de María Angélica, Sofía, lamentou que o norte-americano Michael Townley, ex-agente da Dina, não pode responder como executor da colocação da bomba no carro de Prats e de sua esposa -- já que permanece com outra identidade sob proteção do governo dos Estados Unidos.

"A Argentina, em seu momento, pediu a extradição, que foi negada por um acordo que existia entre os Estados Unidos e o governo do Chile na época. Por isso, não pode ser processado. Inclusive o Chile tentou novamente pedir a extradição, e novamente foi rechaçada", comentou Sofía.

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