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20/07/2010 - 18h38

Chávez diz que Vaticano estaria 'preocupado' com revisão de acordo bilateral

ANSA
CARACAS, 20 JUL (ANSA) - Representantes do Vaticano entraram em contato com a Venezuela para expressar a preocupação diante do anúncio do governo de Hugo Chávez de revisar o convênio firmado entre ambos os Estados, disse hoje o próprio mandatário venezuelano.

Na última semana, Chávez pediu ao Ministério das Relações Exteriores que revisasse o acordo firmado com o Vaticano para evitar que a Igreja Católica tenha "privilégios" no país. Firmando em 1964, o tratado estabelece relações diferenciadas aos católicos em comparação com as outras religiões.

"Parece que no Vaticano estão preocupados com o meu anúncio, e vamos fazer, vamos fazer uma revisão do convênio que [o então presidente] Rómulo Betancourt firmou em segredo, entre o governo da Venezuela e o Estado do Vaticano. Eu sou católico, mas aqui há igualdade", declarou Chávez ao participar de um ato da polícia local.

O líder da Venezuela -- que mantém duras relações com os bispos e representantes do Vaticano no país -- acrescentou que já instruiu o ministro das Relações Exteriores, Nicolás Maduro, para iniciar o processo, considerando que "estamos frente de bispos e cardeais que aqui deram golpes de Estado, participaram no sequestro de um presidente", fazendo alusão à tentativa fracassada de derrubá-lo, orquestrada em 2002.

Em uma provável referência ao secretário para as Relações com os Estados, Dominique Mamberti, Chávez expressou que se ele "quiser vir, venha, mas não vamos aceitar que este cardeal, utilizando sua investidura religiosa, atropele a dignidade do povo venezuelano".

Sobre a relação com a Igreja Católica, o mandatário recordou que Rafael Caldera, que governou o país de 1969 a 1974 e 1994 a 1999, entregou uma emissora de TV a religiosos locais. "Eu disse que revisaremos isso para recuperar esse canal e colocá-lo às ordens do povo", completou.

A decisão da gestão de Chávez de rever os laços com a Santa Sé foi anunciada pouco depois do arcebispo de Caracas, Jorge Urosa, ter afirmado que o presidente quer impor o "marxismo-comunismo autoritário". Em resposta, o líder venezuelano acusou o prelado de ser um "troglodita" da "extrema-direita fascista".

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