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24/07/2010 - 13h48

Em carta a delegado, Papa cita 'necessidade de revisão' dos Legionários de Cristo

ANSA
CIDADE DO VATICANO, 24 JUL (ANSA) - O papa Bento XVI disse que a visita apostólica feita há alguns meses por representantes do Vaticano à ordem Legionários de Cristo evidenciou "a necessidade e a urgência de um caminho de profunda revisão do carisma do instituto".

O Pontífice ressaltou, no entanto, "o zelo sincero e a fervorosa vida religiosa de um grande número de membros" da congregação, abalada por denúncias de pedofilia vinculadas a seu fundador, o religioso mexicano Marcial Maciel, morto em 2008 aos 87 anos.

De acordo com a Rádio Vaticana, as palavras do líder máximo da Igreja Católica estão na carta de nomeação do delegado da Santa Sé junto à ordem, Velasio de Paolis, datada de 16 de junho, anunciada em 9 de julho e publicada hoje no site dos Legionários de Cristo.

A intervenção do Vaticano foi determinada depois que uma comissão de bispos esteve nas sedes da congregação e comprovou os graves crimes cometidos por Maciel, assim como outras irregularidades no funcionamento da ordem. O mexicano é acusado de molestar seminaristas, além de usar falsas identidades para manter relações com diversas mulheres, com as quais teve três filhos, que também teriam sofrido abusos sexuais.

De Paolis recebeu a função de conduzir com plenos poderes e em nome de Bento XVI uma revisão na ordem. No centro do processo estão as regras internas da organização, o relacionamento com os bispos e a gestão do patrimônio financeiro, aspectos sobre os quais "a conduta" de Maciel "causou sérias consequências", segundo uma nota da Santa Sé.

Com a designação do cargo a De Paolis -- que também acumula a chefia da Prefeitura dos Assuntos Econômicos do Vaticano --, o Papa afirmou que o caminho tomado "não deixará de trazer abundantes frutos de bem".

"Se a Igreja não tivesse intercedido, a congregação estaria ameaçada em suas próprias raízes", apontou, por sua vez, o delegado pontifício, em uma carta aos Legionários de Cristo divulgada pela Rádio Vaticana.

"O caminho da renovação não serve para colocar em discussão" a vocação da ordem, mas "para reexaminá-la em profundidade e renovar com um novo espírito e a mais intensa participação a própria adesão a ela", explicou De Paolis.

Segundo o religioso, é possível entender que certas pessoas "estão atravessando momentos difíceis, e alguns já pensaram em outras estradas", e que por isso é necessário "reencontrar a serenidade do espírito e da alma, porque a decisão é tomada em frente a Deus, na fidelidade a Jesus Cristo".

O delegado da Santa Sé também recomendou aos membros da congregação sob intervenção a "ter paciência", na certeza de que o Pontífice quer "encorajá-los no caminho da renovação".

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