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01/08/2010 - 15h28

Fundação de García Márquez: 'O rastro nos ossos' - parte 2

ANSA
Autora: Leila Guerriero Tradução: Vitor Loureiro Sion

****Publicação veiculada pela ANSA a partir de parceria firmada com a Fundação Novo Jornalismo Ibero-Americano (FNPI, em espanhol), de Gabriel García Márquez.

(continuação) No escritório de Miguel Nievas há um crânio de plástico que é cinzeiro, um datilograma, um esquema de DNA nuclear, uma biblioteca, livros, mapas. É um quarto interno, com apenas uma janela e pouca luz. Miguel Nievas tem pouco mais de trinta. Vivia em Rosario, uma cidade do interior, e entrou na equipe no final dos anos noventa.

- Eu trabalhava no necrotério de Rosario, estava estudando uns restos ósseos e necessitava de ajuda. Liguei por telefone. Patricia me atendeu, perguntou se eu podia viajar com os ossos até Buenos Aires. E vim. Segui colaborando em algumas coisas desde então e depois, em 2000, me perguntaram se eu podia ir a Kosovo. Eu disse que sim, mas a verdade é que não sabia para onde ia. Quando o avião aterrisou na Macedônia , e vi tanques, soldados, pensei "Em que caralho me meti". Não falava uma palavra de inglês e no necrotério fazíamos trinta ou quarenta autópsias todos os dias. Nos haviam dado um curso obrigatório de explosivos, mas eu não falava inglês e a única coisa que entendi foi 'don´t touch'. Quando voltei fiquei trabalhando aqui. Me engajei com o trabalho na Argentina. Quando você começa a investigar um caso termina conhecendo a pessoa como se fosse um amigo seu. É preciso colocar distância, porque todo o dia relacionado com isso, termina aflorando. Cada um tem sua forma de se aflorar.

- E a sua é.....

- A Psoríase. E faz anos que não lembro um sonho.

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Patricia Bernardi disse que tem deformações profissionais. A mais notória: olha para os dentes das pessoas.

- Não me dou conta. Falo e olho para a dentadura. Porque nós sempre andamos procurando coisas nos dentes. E outro dia veio o contador com uma radiografia, e lhe disse "Che, por que não deixa alguma aqui, por via das dúvidas".

E ri. Mas sempre ri.

- Eu nunca pude agüentar os mortos. Tenho pânico. Se tenho que cortar um cadáver fresco, morro. Mas com os ossos não me acontece nada. Os ossos estão secos. São bonitos. Me sinto cômoda tocando-os. Me sinto próxima dos ossos.

Passa as páginas de um álbum de fotos.

- Este é o setor 134, em Avellaneda.

Eles. - Haviam feito um portão que dava para a rua, para poder entrar com os corpos diretamente ali. Na porta do necrotério havia um cartaz que dizia "Não cague dentro". Quando começamos a trabalhar não tornamos isso público. Nos dava medo. Tínhamos um policial de segurança da mesma comissária que antes tinha a chave para meter os corpos na fossa. Em pouco tempo tocarão a campainha e Patricia descerá as escadas com uma urna pequena. Ali, nessa urna, levará os restos de María Teresa Cerviño, que em maio de 1976 apareceu pendurada em uma ponte com um cartaz, uma inscrição -- 'Eu fui guerrilheira' --, a cabeça coberta por uma bolsa, os olhos e a boca tapados com uma fita adesiva. Todas as pistas indicavam que havia terminado na fossa comum de Avellaneda. Sua mãe nomeou a equipe como perito na causa judicial que iniciou em 1988 procurando os restos de sua filha. Durante todos esses anos, Patricia soube que María Teresa Cerviño estava ali, era algum de todos esses ossos.

- Eu dizia "Sei que está, mas aonde, qual será". E no ano passado, dezenove anos depois, apareceu.

Há lugares assim. Lugares onde todos os recolhimentos são tardios.

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Quando Darío Olmo chegou à equipe, convidado por Patricia Bernardi em 1985, era um estudante de antropologia de 28 anos, agonizando nas mãos de um emprego que o frustrava: receber formulários na mesa de entrada de uma dependência do governo.

- Me caiu muito bem o velho, Snow. Eu não entendia uma palavra de inglês, mas nós entendíamos o idioma universal dos copos. Esse trabalho me salvou. Eu bebia bastante, trabalhava organizando formulários, não era um bom aluno na faculdade. Isso era o oposto à rotina. Um trabalho entre amigos, e em seguida criamos uma relação rara, incomum. Quando a mulher de um de nós ficou doente, Patricia tinha o dinheiro de um apartamento que havia vendido e levou todo o dinheiro. "Faça o que precisa", disse. Essas pessoas são as que mais conheço e as que mais me conhecem. Para o bem e para o mal. Para mim esse trabalho não me incomoda. Ao contrário. Isso é o que de mais interessante aconteceu na minha vida. Quais possibilidades têm um estudante de arqueologia como eu de conhecer o Congo por mais que com um trabalho demencial como este? As pessoas se horrorizam. Você diz que viaja para ver fossas comuns e necrotérios e cemitérios, e às pessoas isso parece horroroso. Mas para mim seria difícil me sentar em um quiosque de dois metros quadrados e esperar que venham comprar caramelos. A verdade é que a única parte má do trabalho são os jornalistas. Um jornalista é a pessoa que não conhece o tema e tem que fazer uma espécie de curso intensivo, fazer suas anotações, e é difícil que capte essa complexidade. Eu gostaria que, simplesmente, não lhes interessasse.

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São sete da noite de uma sexta-feira e em uma sala da Faculdade de Medicina da Universidade de Buenos Aires, Sofía Egaña e Mariana Selva dão uma aula sobre ossos em geral, lesões em particular, a um pequeno grupo de estudantes.

- O osso fresco contém umidade e reage de forma diferente à fratura que o osso seco. O osso se mantém fresco até depois da morte. Então o diagnóstico é feito segundo a forma da fratura, a coloração -- diz Mariana Selva enquanto projeta imagens de ossos quebrados e secos, quebrados e úmidos, quebrados e brancos. - Os rastros da vida se veem nos ossos -- dirá depois, sobre um esqueleto estendido, Sofía Egaña --. Veem os picos de artrose? Como veriam esta mandíbula? Toquem-na, agarrem-na. O que pode dizer essa dentição?

Quando a equipe se formou, a antropologia forense não existia como disciplina no país. Eles aprenderam nos cemitérios, desenterrando pessoas de sua idade -- vomitando ao descobrir que tinham os mesmos sapatos --, lendo o rastro verde da pólvora na parte interna dos crânios. E depois, ainda, ensinaram uns aos outros. Agora são generosos: aqui dividem o conhecimento. Propagam o que semearam.

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O dia é cinza. Patricia Bernardi pega o telefone, aperta um número, alguém atende. - Sim, boa tarde, estou procurando a senhora X.

- .....

- Ah, boa tarde, senhora, quem fala é Patricia Bernardi, da Equipe Argentina de Antropologia Forense. Não sei se sabe o que faz esta instituição.

- ...

- Bom, muito obrigada, até mais.

O tom de Patricia é doce e não há irritação quando desliga: quando não querem atender. Em 2007, no aniversário da morte de Che, os meios de comunicação pegaram as suas máquinas de fazer festas e todas apontavam para os membros da equipe que, convocados pelo governo cubano, estiveram ali.

- Às vezes me sinto obrigada a dizer que foi um orgulho ter participado dessa exumação, mas era tudo muito tenso. Nós estivemos cinco meses, saímos, e voltamos quando os cubanos encontraram a fossa de Che, em julho de 1997. Me ligaram, era um sábado. Não me lembro se quem me ligou era o cônsul ou o embaixador de Cuba, e me falou "Encontraram uns ossos". Quando chegamos já havia dois ou três brigando para ver quem tirava a foto. O que me marcou foi o que aconteceu em El Petén, na Guatemala. Ali em 1982 um pelotão do exército executou centenas de pessoas. Nós retiramos cento e setenta e dois corpos. A maioria crianças menores de doze anos. E não tinham ferimentos de balas porque para economizar projéteis batiam a cabeça deles na borda do poço e os jogavam longe violentamente. Chega um momento em que você se acostuma a ossos pequenos, porque são muito lindos, bonitos, perfeitos. Mas o que te trazia à realidade era o resto.

O resto.

- Os brinquedos.

No prédio ao lado há um instituto de cabeleireiro e depilação. Nas janelas se podem ver, todos os dias, senhoras cobertas por toalhinhas de plásticos e cabelos cobertos em vaporizadores como merengues moles. Mas não muda nada: aqui ninguém as olha.

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No escritório de Carlos Somigliana -- Maco -- há profusão de papeis, desenhos de crianças, pilhas de coisas que procuram seu lugar como em um pequeno camarote. Desde que entrou na equipe, em 1987, se dedicou a juntar fios e ensinar os demais a fazer o mesmo: entrevistar familiares, buscar depoimentos, cruzar informação.

- Enquanto o Estado levava adiante uma campanha de repressão clandestina, seguia registrando coisas com seu aparato burocrático. É como uma roda grande e uma roda pequena. Você pode conhecer o que acontece na primeira pelo que acontece na segunda. Agora há uma urgência a respeito do trabalho que não era tão forte quando éramos mais jovens, e que tem a ver com a sobrevivência das pessoas que esperam a notícia da identificação. Você chega a uma família para contar que identificou o familiar e te dizem "Ah, meu pai morreu há um ano". E quando começa a acontecer várias vezes pensa "tenho que ir rápido".

- Você poderia deixar de fazer este trabalho?

- Sim. Quero terminar este trabalho. Para mim é importante acreditar que posso prescindir. Este trabalho tem sido muito injusto em termos de outras vidas possíveis para muitos de nós.

- E afetou a sua vida privada?

- Sim.

- De qual forma?

- Nenhuma que se possa publicar.

- Então tem partes negativas.

- Lógico que tem partes negativas. Quando você é o familiar de um desaparecido, teve que aceitar o desaparecimento, e aceitou, esteve trinta anos com isso. Se acostumou. De repente vem alguém e diz que não, olhe, isso não foi como você pensava, e além disso encontramos os restos de seu filho, sua filha. É uma boa notícia. Mas é uma merda. É como uma operação, é para algo bom. Mas te machuca. Quando você se dá conta que o machucado é muito profundo, até que ponto não está fazendo uma cagada ao remoer essas coisas. Mas não há nada bom sem mau. O que te leva a outra possibilidade muito mais perturbadora: não há nada mau sem bom.

Em algum lugar uma mulher diz "Meu irmão desapareceu em cinco do dez de setenta e oito" e então alguém, discretamente, fecha uma porta.

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- Meu nome é Margarita Pinto e sou irmã de María Angélica e de Reinaldo Miguel Pinto Rubio, os dois são chilenos, militantes guerrilheiros. Desapareceram em 1977. Minha irmã tinha 21 anos. Meu irmão, 23.

Margarita Pinto diz isso no espaço para fumantes da confeitaria La Perla, no Once, a quatro quadras dos escritórios da equipe. Depois diz que os restos de sua irmã foram identificados por antropólogos em 2006.

- A dor de ter um familiar desaparecido é como uma espinha que encosta no coração, mas você se acostuma. E quando me disseram que haviam encontrado os restos, entrei em uma depressão muito profunda. Não quis ir vê-los. Fui apenas à homenagem que fizemos no cemitério. Isto é como uma segunda perda, mas depois é um alívio. Os antropólogos falam de minha irmã como se tivessem a conhecido. E eu a procurei tanto. Quando desapareceu eu era criança, e comecei a visitar os pais de alguns companheiros dela. Uma vez fui a um casamento grande. Em um momento, a senhora se levantou e foi embora e o homem me pediu desculpas, que a senhora estava muito mal. Que todos os dias se levantava muito cedo para desarrumar a cama de seu filho. E eu ali, perguntando de minha irmã. Às vezes você magoa sem se dar conta.

O céu cinza. Brilha em seus olhos.

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Em 26 de setembro de 2007, Mercedes Doretti recebeu uma bolsa da fundação MacArthur de quinhentos mil dólares e, como fazem e sempre fizeram com as bolsas, os prêmios e os salários das missões internacionais, doou o dinheiro para o fundo comum que financia a equipe.

- A bolsa é pessoal -- diz Mecedes Doretti -- mas eu não trabalho sozinha.

Ela foi a primeira mulher da equipe a ser mãe, um ano atrás. A segunda foi Anahí Ginarte, que vive na cidade de Córdoba desde 2003, quando chegou para trabalhar na fossa comum do cemitério de San Vicente, um círculo de inferno com centenas de cadáveres, e conheceu o homem que alugava a palha mecânica para remover a terra, se apaixonou, teve uma filha. - É muita adrenalina, muito romântico, mas também é ver a vida dos outros e não ter uma vida própria -- diz Anahí Ginarte --. Eu fiquei um ano sem passar um mês inteiro em Buenos Aires. Tinha um apartamento onde não havia nada, nem uma planta, trancava com chave e ia. Mas decidi parar.

Além delas duas -- Mercedes, Anahí -- nenhuma das mulheres que estão há anos na equipe tem filhos.

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Em meados de 2007, a equipe, a Secretaria de Direitos Humanos da Nação e o Ministério da Saúde assinaram um convênio para criar um banco de dados genéticos dos familiares de desaparecidos através de uma campanha que pede uma amostra de sangue para confrontar o DNA com o de seiscentos restos que ainda não puderam ser identificados. O projeto se chama Iniciativa Latino-Americana para a Identificação de Pessoas Desaparecidas, e há dias que aqui não se fala de outra coisa: da iniciativa que começará.

Nesta manhã, Mercedes Salado e Sofía Egaña caminham em volta de um homem encarregado de instalar a impressora de código de barras da qual sairão milhares de etiquetas que identificarão o sangue dos familiares.

- Vamos ver, vamos tentar -- diz o homem. Aperta um comando e a pequena impressora balança, treme como um hamster e imprime um, dois, dez, vinte códigos de barras.

- É muito emocionante -- diz Mercedes --. Estamos há anos esperando isto.

Nas semanas seguintes todos se dedicam a uma tarefa simples: preparar formulários para enviar aos quatro rincões do país. Um dia, já de noite, Mercedes Salado, descalça, sentada no chão ao lado de uma caixa cheia de envelopes que dizem 'Teu sangue pode ajudar a identificá-lo', fuma e conversa com Patricia Bernardi.

- Se conseguirem identificar todos, ficarão sem trabalho.

- Tomara.

Um rádio velho toca a música "I will survive".

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Quarta-feira. Nove e meia da manhã. Em um dos escritórios do primeiro andar chegam rajadas de conversas:

- O irmão dela está desaparecido.

- Não pode haver um estudante de medicina de 60 anos. Por que não voltamos a olhar a informação?

- Esse Citroën vermelho...alguém disse algo desse Citroën vermelho.

Ines Sánchez, Maia Prync e Pablo Gallo trabalham fazendo investigação preliminar: através de fontes escritas, orais, jornais, criam hipóteses de identidade para os ossos. Ines Sánchez, apenas pouco mais de vinte, é filha de desaparecidos.

- Eu cheguei à equipe há dois anos, mais ou menos. Nossa tarefa é fazer hipóteses de identidade sobre um conjunto de pessoas com base nas exumações que já foram feitas. Para isso vemos qual centro clandestino utilizava um determinado cemitério, em quais datas houve transferências.

Selva Varela tem corpo de bailarina, cabelo comprido, olhos claros, óculos. Está inclinada sobre uma das mesas. Na palma da mão, apertado contra o peito, abraça um crânio como quem faz carinho. Tem trinta anos e está na equipe dede 2003. Seus pais foram sequestrados por militares e ela foi adotada por companheiros de militância que, por sua vez, foram sequestrados em 1980. Foi criada por vizinhos, avó, uma tia, e em 1997 chegou à equipe procurando seus pais.

- Depois estudei medicina, antropologia, e quando me disseram que aqui faltava gente, vim e fiquei. Mas não estou aqui procurando meus pais. Penso nos familiares das vítimas, penso que é bom que a sociedade saiba o que aconteceu.

Em pouco tempo haverá clima de euforia e desconcerto: um crânio ao que creditavam um erro não teve o resultado que pensavam: um intruso. A boa notícia -- a má notícia -- é que é o crânio de um desaparecido. Levantam-no, olham como para uma fruta mágica, magnífica.

- E se for o pai de....?

É uma boa tarde. Por tanto. Por tão pouco.

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Dez da manhã: o céu sem uma nuvem.

O cemitério de La Plata é pródigo em abóbadas, depois em lápides, depois em cruzes. E ali, entre essas cruzes, há duas tumbas abertas e o raio negro do cabelo de Ines Sánchez. O sol que bate em suas costas se dobra. Ao redor, pilhas de terra, baldes, pás: coisas com as quais brincam as crianças.

- Vamos bem. Encontramos os restos das três mulheres que vínhamos procurar -- diz Ines.

Limpa o fundo com um pincel, os pés abertos para não pisar nos ossos: um crânio, as costelas.

Do outro lado de um muro de abóbadas, em uma área de sombras frescas, Patricia Bernardi, três coveiros, um homem e duas mulheres rodeiam Maco que -- de bermuda e chinelo -- tira a terra de uma fossa. Os coveiros tiram sarro: dizem que não se deve cavar de chinelo, que pode perder um dedo. Ele sorri, sua. Quando embaixo da pá aparece um trapo cinza -- a roupa -- Maco se retira e Patricia submerge. Perto, entre as árvores, uma mulher de traços afiados caminha, fuma. Está aqui pelos restos de Stella Maris, 23 anos, estudante de medicina, desaparecida nos anos setenta: sua irmã. Patricia tira terra com um balde e os ossos aparecem, misturados com as raízes das árvores.

- Está de boca pra cima e tem uma meia.

As meias são valiosas: sacos perfeitos para os ossos desarmados.

- O crânio está muito perfurado. Aqui há um projétil. No semitorax esquerdo, parte inferior. Tem as mãos assim, sobre a pélvis.

Depois, levantam o esqueleto da sua tumba: osso por osso, em sacos rotulados que dizem pé, que dizem dentes, que dizem mãos. A mulher de traços afiados se aproxima.

- Não sei se é minha irmã -- diz --. Tem os ossos muito largos.

- Não se guie por isso -- diz Maco. Em outra das fossas alguém encontra um suéter listrado, um crânio com três furos, redondos como três bocas de peixe: os ossos de mulher são finos.

Amanhã, em um quarto discreto do bairro do Once, sobre os jornais com notícias de ontem e sob a luz grumosa da tarde, se secarão os ossos, o suéter rasgado, o sapato como uma língua rígida.

Mas agora, no cemitério, a tarde é um véu celeste apenas rasgado pela brisa fina.

* Este texto foi o vencedor da 9ª edição do Prêmio Novo Jornalismo, organizado pela Fundação Novo Jornalismo Ibero-Americano. O trabalho foi originalmente publicado na Revista Gatopardo, do México, em 1º de abril de 2008.

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