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02/08/2010 - 08h41

Igreja do México condena lei anti-imigrantes do Arizona

ANSA
CIDADE DO MÉXICO, 2 AGO (ANSA) - A Igreja Católica do México criticou ontem a lei que criminaliza imigrantes ilegais no estado norte-americano do Arizona e denunciou que o narcotráfico se converteu no "grande empregador dos jovens" do país latino.

"É preciso fazer frente ao racismo e à discriminação gerados contra nossos conterrâneos com leis como a do Arizona", afirmou o Arcebispado Primaz do México em um editorial publicado na revista Desde la fe.

A norma SB 1070 entrou em vigor na quinta-feira, mas teve bloqueados seus artigos mais polêmicos no dia anterior pela juíza Susan Bolton. Entre os itens suspensos estão a permissão a policiais para que inspecionem pessoas "suspeitas" de serem imigrantes ilegais e a determinação de que todos devem andar com seus documentos para evitar detenções.

Segundo a instituição religiosa, "não basta a decisão de uma juíza que questiona a aplicação da nova lei anti-imigrante, deixando de lado algumas medidas drásticas, pois na realidade a lei em seu conjunto não foi vetada e pode ressurgir por todos os lados".

De acordo com os católicos mexicanos, a norma do Arizona representa "uma situação grave na qual a sociedade norte-americana se volta cada vez mais intolerante e racista, começando por suas autoridades, inclusive no mais alto nível, como demonstraram uma e outra vez os governantes".

No editorial, o Arcebispado Primaz do México assinalou ainda que "faltou audácia" ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, "para colocar um fim a novas expressões de racismo" da população norte-americana.

"Suas iniciativas foram muito tíbias e demasiado cuidadosas nas implicações eleitorais, sem um compromisso de fundo com a justiça e os direitos humanos", acrescentou.

Segundo a Igreja Católica, o governo do mandatário Felipe Calderón necessita "melhorar as condições trabalhistas e de educação em nosso país, para enfrentar a alta migração de mexicanos" à nação vizinha.

Sobre a economia local, a instituição religiosa afirmou que a maior parte das oportunidades para os jovens está ligada ao narcotráfico -- no mercado informal, na pirataria e no cultivo e tráfico de drogas.

"O poderio destes grupos de delinquentes começou a controlar os lucros das empresas, exigindo extorsões descomunais para garantir a segurança dos empresários", acusou a Igreja, questionando o papel das autoridades para solucionar a questão, um dos "problemas reais da nossa sociedade".

O México possui uma População Economicamente Ativa (PEA) de 47 milhões de pessoas com idade de trabalhar -- em um número total de quase 110 milhões de habitantes. De acordo com dados oficiais, no entanto, só 30% têm emprego formal e permanente, e o restante é afetado pelo subemprego e o desemprego aberto.

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