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03/08/2010 - 14h33

Brasil deveria 'exercer mais pressão' para evitar narcotráfico da Bolívia, diz Azeredo

ANSA
Por ESTELA TAKADA

SÃO PAULO, 3 AGO (ANSA) - O senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), um dos promotores do debate que ocorria na manhã de hoje na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) sobre o tráfico de drogas da Bolívia ao Brasil, afirmou acreditar que o governo brasileiro deveria "exercer mais pressão" para combater esse tipo de crime.

"No nível diplomático, poderíamos exercer mais pressão sobre a Bolívia. A maior parte das exportações de gás boliviano cruza território brasileiro. A partir do momento em que nos aproximamos da autosuficiência, por meio da exploração das reservas da Bacia de Santos, cresce nossa capacidade de negociação", declarou o parlamentar, em entrevista à ANSA.

Para ele, outra forma de solucionar o narcotráfico proveniente da nação de Evo Morales -- que tem como um dos pontos de ingresso ao Brasil o estado de Mato Grosso -- seria a ajuda da comunidade internacional, que poderia "subsidiar cultivos de alimentos e de matérias-primas para a indústria farmacêutica e para o fabrico de biocombustíveis".

O senador afirmou ainda que para esta atividade seria necessária a atuação do Conselho de Segurança das Nações Unidas para a aplicação de "sanções econômicas que chamem o presidente Evo Morales à razão, mesmo que isso implique, momentaneamente, em um aumento no custo do gás que consumimos".

A questão do tráfico de drogas tem ganhado força nas últimas semanas, em meio à campanha eleitoral brasileira. Recentemente, o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, acusou o governo de Morales de ser "cúmplice" dos traficantes.

Na última semana, em uma sabatina promovida pela imprensa local, Serra voltou a dizer que a Bolívia deve estar fazendo "corpo mole", e afirmou que o seu país "deveria fazer pressão diplomática para frear o contrabando de cocaína".

"Eu, no governo, vou atuar diretamente junto aos países vizinhos para que ajudem a combater o contrabando de drogas para o Brasil", declarou o tucano.

Por outro lado, para o especialista Wálter Fanganiello Maierovitch, a questão da produção da cocaína em território boliviano não é apenas uma questão interna. "A Bolívia só tem a folha de coca e para transformar a folha de coca em cocaína são necessários insumos químicos. Enquanto o Brasil tem a maior indústria química da América Latina e não tem controle sobre isso", afirmou.

Para Maierovitch, que foi secretário nacional antidrogas no segundo governo de Fernando Henrique Cardoso (entre 1999 e 2000), demonstra-se falta de conhecimento ao culpar apenas os bolivianos, pois o narcotráfico "obedece a uma estratégia: a dos [países] consumidores".

"A droga boliviana abastece o Brasil", ou seja, "existe uma dupla via, vem o cloridrato de cocaína e vai o insumo químico", complementou.

Na última semana, o próprio Morales admitiu que o narcotráfico em seu país conta com "mais tecnologia e equipamentos" do que as forças locais. Ao mesmo tempo, ele pediu ao mundo industrializado que aborde o aumento do consumo das drogas em seus países.

De acordo com o último informe da ONU, o comércio da folha de coca move na Bolívia US$ 256 milhões por ano, ou seja, 2% do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo o mesmo relatório, em 2009 foram registrados no país 30.900 hectares de plantações com uma produção de 54.628 toneladas de folha de coca -- quantidade com um potencial para produzir 113 toneladas da droga.

O requerimento apresentado por parlamentares brasileiros pela audiência pública tinha como objetivo abordar o aumento do tráfico após a chegada de Morales ao poder. Eleito pela primeira vez em 2005, o primeiro mandatário indígena da Bolívia, que era líder cocaleiro, foi reeleito em 2009.

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