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11/08/2010 - 19h25

Para opositor, por meio de discursos, Fidel retomou o poder em Cuba

ANSA
HAVANA, 11 AGO (ANSA) - O líder revolucionário Fidel Castro "tomou as rédeas do poder" não-institucional em Cuba "por meio das palavras" assim que melhorou seu estado físico, opinou um líder social-democrata em entrevista à ANSA.

Para o secretário-geral do Arco Progressista, Manuel Cuesta Morua, Fidel "tomou as rédeas do poder real de Cuba por meio de suas palavras, que são seu poder. Ele não precisa de instituições, porque não respeita leis nem títulos oficiais".

O líder completará 84 anos nesta sexta-feira e desde 7 de julho tem feito aparições públicas na TV, em encontros e no Parlamento cubano. Entre os assuntos que mais abordou em suas declarações destaca-se o risco de uma possível guerra nuclear caso os Estados Unidos ataquem o Irã ou a Coreia do Norte.

"Nosso povo está bem informado dos graves perigos que nos ameaçam", disse o ex-presidente diversas vezes desde sua recuperação física. Durante a sessão extraordinária do Parlamento, realizada no sábado a pedido do líder cubano, ele atestou que está contribuindo para fazer um "esforço persuasivo" para que o presidente norte-americano, Barack Obama, não ordene o ataque ao Irã.

O retorno do ex-presidente cubano, na opinião do ex-preso político libertado por motivos de saúde, Oscar Chepe, "não é positivo porque aumenta a confrontação com os Estados Unidos" em um momento em se discute em Washington uma lei sobre o fim da proibição a turistas norte-americanos que queiram ir à ilha.

Segundo Cuesta Morua, Fidel está "fechado em sua bolha guerrilheira. Desvia a atenção dos cubanos, com todos os problemas que têm, para a guerra nuclear. Isso está criando um mal-estar muito grande entre as pessoas".

Desde que o ex-comandante voltou à vida pública, os cubanos não discutem mais sobre os problemas que afetam o país, que atravessa uma crise econômica aguda, nem sobre o atual presidente, Raúl Castro, que está no cargo desde 2006, quando Fidel se afastou por motivos de saúde.

A reaparição também levantou discussões sobre o fato de Fidel querer retornar ao poder, o que foi negado por ele. "Para mim, o mais importante era essa reunião da Assembleia (...). Por ora, não tenho mais nada a fazer. Creio que me sobra tempo", declarou na reunião dos parlamentares.

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