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23/08/2010 - 10h08

França chama de 'injustas' palavras do Papa contra política de repatriação

ANSA
PARIS, 23 AGO (ANSA) - O ministro da Imigração da França, Éric Besson, definiu como "injustas" as palavras ditas ontem pelo papa Bento XVI contra a política de segurança francesa, em particular a repatriação de mais de 200 ciganos da etnia rom nos últimos dias.

O titular disse, em uma entrevista, que a França atua muito melhor que seus parceiros europeus na inserção de estrangeiros em situação irregular e que os roms são "em parte também um problema de segurança".

"Somos o segundo país no mundo em matéria de asilo, depois dos Estados Unidos", afirmou Besson. "Acolhemos em nosso território 170 mil estrangeiros por ano, com permissão de permanência de longa duração", continuou ele.

Segundo o funcionário, com relação aos estrangeiros em situação irregular, o país possui "o direito mais respeitoso de todos. Logo, em nome dessa fraternidade universal, não creio que a França se comporte mal".

"Acredito que uma boa parte das críticas vindas do exterior derivem do fato que conosco a polêmica é sempre maior e a caricatura mais pesada. Das palavras que vêm sendo usadas, como nazismo, fascismo e deportação, dá-se a impressão de estarmos na Segundo Guerra Mundial", afirmou.

Por sua vez, o ministro francês do Interior, Brice Hortefeux, se disse "absolutamente disposto" a receber o presidente da Conferência Episcopal Francesa, André Vingt-Trois, e outros representantes da Igreja Católica, ao comentar as palavras do Pontífice.

No Angelus deste domingo, Bento XVI fez um apelo para que a nação revisse a política de repatriação, também muito criticada por outros países.

"Escutei com atenção o que disse o Papa", afirmou o titular, citando algumas autoridades católicas que comentaram o assunto recentemente. "Se qualquer um quiser me encontrar, estaria feliz em fazê-lo", acrescentou.

"Somos respeitosos dos direitos individuais porque, no caso dos roms, os reconduzimos a seu país na base voluntária. Não estigmatizamos uma comunidade. Há uma realidade simples no nosso país: é preciso respeitar a lei, e a lei diz que não podem ocupar espaços abusivamente", explicou Hortefeux.

Repatriar estrangeiros ilegais é uma prática comum na França -- 10 mil ciganos deixaram a nação no ano passado. Mas, de acordo com a imprensa local, o presidente Nicolas Sarkozy fez da prática uma manobra, em uma tentativa de aumentar seus baixos índices de popularidade.

O programa de "repatriação voluntária" fornece aos que deixam o território francês, além de passagens aéreas, um subsídio de 300 euros. Os menores de idade recebem ajuda de 100 euros.

Na semana passada, a imprensa romena -- uma das nações que possui mais cidadãos ciganos -- classificou as expulsões como "hipócritas", "ineficazes" e, de acordo com alguns veículos, destinadas a fazer Sarkozy "reconquistar o eleitorado perdido".

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