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23/08/2010 - 09h25

Imprensa argentina denuncia mobilização frente ofensiva do governo contra a mídia

ANSA
BUENOS AIRES, 23 AGO (ANSA) - A ofensiva do governo da Argentina contra a mídia local, denunciada ontem pelos maiores jornais do país, foi respondida hoje com notícias sobre a repercussão junto a entidades a favor da liberdade de imprensa e parlamentares de oposição.

Em sua edição de hoje, o Clarín reportou protestos da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP, na sigla em espanhol) e da Associação Internacional de Radiodifusão (AIR), os quais fariam alertas sobre "a escalada do governo contra a liberdade de expressão".

O La Nación, por sua vez, assinalou que os principais partidos de oposição analisam a possibilidade de realizar uma "ampla convocatória a todos os setores sociais", entre eles empresários, religiosos, sindicalistas e jornalistas face "as reiteradas investidas do governo de Cristina Kirchner contra as empresas jornalísticas".

A publicação cita os parlamentares Oscar Aguad, Elisa Carrió, Felipe Solá e Federico Pinedo, líderes, respectivamente, da União Cívica Radical (UCR), da Coalizão Cívica, do Peronismo Federal e da Proposta Republicana (PRO).

O governo deve apresentar amanhã um relatório de 400 páginas que mostraria supostas ligações entre os dois principais veículos impressos do país e a ditadura militar local (1976-1983). O objetivo da ação da presidente Cristina Kirchner seria anular a participação majoritária das empresas no maior fabricante de papel jornal do país, a Papel Prensa.

Em seu editorial de domingo, o Clarín acusou a administração de Cristina de querer assumir o controle total da fábrica para submeter o jornalismo independente até "levá-lo a uma convivência dócil com o poder".

Ainda conforme o texto, os principais acionistas da Papel Prensa são o Grupo Clarín (49%), o La Nación (22,49%) e o Estado argentino (27,46% de controle direito e 0,62% de propriedade da agência oficial de notícias Télam). De acordo com o editorial, a empresa abastece 75% do consumo nacional do produto.

A investigação do governo que será apresentada no relatório de amanhã se foca na transferência das ações da Papel Prensa durante a ditadura. A negociação aconteceu nos primeiros anos do regime, e conforme testemunhos recentes de Lídia Papaleo de Gravier, que detinha parte dos papeis, ocorreu sob coação -- o que inscreveria o caso nos delitos de lesa-humanidade.

Segundo informações da Télam, no momento em que a família Papaleo-Graiver foi obrigada a transferir as ações, os beneficiários foram os jornais Clarín, La Nación e La Razón -- sendo que este último não tem mais participação na companhia.

Os confrontos entre o governo de Cristina e a imprensa não são recentes. Aprovada em outubro de 2009, a Lei de Serviços de Comunicação Audiovisual -- também chamada Lei de Mídia e que buscaria diminuir o controle dos monopólios -- foi bastante criticada e classificada de "mordaça" para a liberdade de expressão pelos veículos.

Além disso, a proprietária do Grupo Clarín, Ernestina Herrera Noble, é suspeita de ter adotado, durante a ditadura militar, dois bebês cujos pais foram raptados pelos repressores. Os filhos da empresária negam, assim como ela, mas a Justiça argentina atualmente investiga a paternidade dos dois.

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