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23/08/2010 - 15h29

Promotor da Santa Sé defende atuação de Papa no combate à pedofilia

ANSA
CIDADE DO VATICANO, 23 AGO (ANSA) - O papa Bento XVI sempre demonstrou "coragem e determinação" no confronto aos crimes de pedofilia cometidos por membros do clero quando chefiava a Congregação para a Doutrina da Fé, afirmou hoje o promotor de Justiça deste dicastério, Charles Scicluna.

Em entrevista à Fox News, o religioso falou da "compaixão, raiva e frustração" de Joseph Ratzinger como cardeal e prefeito da congregação a quem cabia investigar as denúncias. Segundo Scicluna, "entre 2002 e 2005" o Pontífice "examinou uma centena de casos".

Questionado sobre se aqueles três anos modificaram fundamentalmente a visão de Ratzinger frente os escândalos de abusos, o promotor afirmou que "uma experiência como essa mudaria qualquer um".

"Acredito que os olhos foram abertos sobre a gravidade da situação e sobre a grande tristeza pela traição e falhas sacerdotais. Penso que qualquer um que tivesse examinado tantos casos assim mudaria seu ponto de vista sobre as coisas, sobre os erros humanos, mas também sobre o grande sofrimento criado", completou.

Scicluna voltou a negar as acusações de que o Papa tenha ocultado casos de pedofilia quando era prefeito da congregação (1981-2005) e arcebispo de Munique e Freising (1977-1982). "Fui testemunha direta da compaixão, frustração e raiva que esses casos incutiram no cardeal Ratzinger, no homem Joseph Ratzinger", garantiu.

Com relação ao impacto das revelações de abuso na Igreja, o promotor assinalou que não os vê como uma "crise", mas sim como uma oportunidade de chamar o "pecado" e o "crime" por seus nomes verdadeiros, para combatê-los com determinação.

A partir do segundo semestre de 2009, foram intensificadas as críticas contra a instituição católica em decorrência da divulgação de uma série de denúncias de abusos sexuais contra menores, que teriam sido acobertados ou cometidos por membros do clero em diversos países -- entre eles Estados Unidos, Itália, Irlanda, Alemanha e Brasil.

Bento XVI já expressou várias vezes seu repúdio e vergonha pelos episódios. Além de pedir desculpas ao abordar o tema, o Pontífice tem anunciado ações concretas para evitar casos semelhantes e recuperar a confiança dos católicos.

A atuação do Papa na Congregação para a Doutrina da Fé é discutida em dois processos movidos por vítimas de pedofilia em tribunais norte-americanos, que questionam o papel de Ratzinger e outras autoridades vaticanas na transferência de um padre sobre quem pesavam diversas denúncias e ao não punir um sacerdote pedófilo por sua idade e condições de saúde.

O Pontífice também foi afetado por suspeitas que envolviam a ocorrência de episódios em escolas jesuítas alemãs nos anos 1970 e 1980 e no coro da catedral de Regensburgo, que foi dirigido por seu irmão Georg Ratzinger por trinta anos.

Outra denúncia se referia ao padre Peter Hullermann, preso em 1986 e que fora transferido para a Arquidiocese de Munique e Freising na época em que Bento XVI comandava a comunidade. Ele já tinha antecedentes de pedofilia antes da mudança, e mesmo assim continuou seu trabalho pastoral.

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