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24/08/2010 - 20h11

Cristina diz que relatório sobre aquisição de Clarín e La Nación tem dados 'assustadores'

ANSA
BUENOS AIRES, 24 AGO (ANSA) - A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, disse que o relatório oficial apresentado no início da noite de hoje sobre a fabricante de papel jornal Papel Prensa "tem dados assustadores" e que faz sentir "como se estivesse lendo um suspense".

Em um ato transmitido em cadeia nacional, a mandatária falou sobre o informe de 233 páginas intitulado "Papel Prensa: a verdade", que busca detalhar a denúncia das autoridades de que a transferência das ações da companhia, feita no início da ditadura militar (1976-1983), ocorreu depois que seus donos foram torturados.

Atualmente, as publicações Clarín e La Nación, opositoras à chefe de Estado, são os maiores acionistas privados da Papel Prensa. Na época, elas foram beneficiadas com a negociação juntamente ao La Razón, já extinto.

"Quando se olha este quebra-cabeça com todas as suas peças, é uma fotografia perfeita", assinalou a mandatária, afirmando que o documento será "remetido aos organismos competentes para posterior análise".

Cristina citou as palavras do Clarín de que o governo "avança na Papel Prensa para controlar a palavra impressa" e que o veículo "pensa que os que controlam a Papel Prensa controlam a palavra impressa". "E quero concordar com o Clarín", acrescentou a presidente.

Segundo ela, a fabricante "é a única empresa que produz e comercializa pasta de celulose para fazer papel de jornal na Argentina", e é "uma empresa monopólica organizada verticalmente".

Retomando a história da venda das ações, a presidente citou a detenção pelos repressores, em 1977, dos acionistas David Gravier e sua esposa Lidia -- sendo que são nos testemunhos dela que se baseia a investigação do governo. "Cinco dias depois que Lidia assina o último papel que tinha que assinar [para a venda], a detém e permanece detida até 1982", afirmou.

"Por que deveriam conservar a liberdade até assinar esses papeis? Porque uma vez que eram pegos, tinham interditado seu patrimônio. Por isso tinha que deixar a Papel Prensa de fora; uma fotografia perfeita", comentou Cristina.

A chefe de Governo assinalou que a transação nunca foi autorizada pela Justiça. "Também é bom olhar o preço da venda, porque [Lidia] disse que tinham vendido apressados, pois precisavam de dinheiro para cobrir dívidas. Ela vende por US$ 996 mil. Quanto cobra nesse dia como adiantamento? US$ 7 mil. O resto seria pago em cotas durante três meses, justo quando a detém", continuou Cristina.

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