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24/08/2010 - 16h35

Prefeito chileno espera 'conscientização' para que desastre de Copiapó não se repita

ANSA
SANTIAGO DO CHILE, 24 AGO (ANSA) - A "sensibilização" gerada pelo acidente na mina San José, no norte do Chile, que deixou 33 homens bloqueados sob a terra desde o dia 5, pode levar a uma "conscientização" para que um episódio semelhante nunca mais aconteça, esperam as autoridades locais.

"Acredito e espero que a sensibilidade que temos vivido por estes dias transforme-se em consciência e que nunca mais nem sequer um trabalhador passe pelo que estão passando estes 33 companheiros", afirmou Cristian Tapia, prefeito de Vallenar -- localizada a 148 quilômetros de Copiapó, onde fica a mina San José.

Ele opinou que os resgates podem ser mais ágeis se três itens "fundamentais" confluírem: o comportamento da montanha, o menor número possível de falhas do maquinário e a perícia dos operadores. "Se estes três fatores forem positivos, o resgate levará muito menos" tempo, apostou.

Em declarações à rádio Carve, Tapia defendeu a necessidade de que a partir deste episódio haja uma melhor regulação da atividade mineradora e um esclarecimento total das responsabilidades.

"Há muitos responsáveis" pela tragédia dos homens presos a 700 metros de profundidade, disse. Ele também lembrou de um acidente ocorrido em julho, em que um trabalhador perdeu a perna, o qual provocou o fechamento do local por alguns dias.

Na semana passada, deputados chilenos revelaram um informe datado de julho que constatou irregularidades na mina, como a inexistente fortificação dos tetos, a falta de sinais alertando sobre zonas de risco e a ausência de comitês paritários para investigar as causas de acidentes e doenças profissionais. Em 2007, um trabalhador morreu na mesma mina e as atividades foram suspensas por um ano.

"Aqui não foram tomadas todas as medidas, e é preciso fazer reivindicações, os julgamentos contra todos os que forem responsáveis. O Estado tem que responder, e a empresa [exploradora] logicamente tem que responder. São os principais responsáveis por manter a segurança", assinalou.

O primeiro contato com os trabalhadores foi estabelecido no domingo, quando uma sonda atingiu o refúgio onde eles estão abrigados. A partir de então, começaram as operações para enviar água, mantimentos e artigos a fim de manter a saúde dos mineiros, cujo resgate pode levar até quatro meses.

Terremoto

Um dos 33 homens bloqueados, Raúl Bustos Ibáñez, também é sobrevivente do terremoto de 8,8 graus que atingiu o centro-sul do Chile em 27 de fevereiro. Segundo reportou hoje a imprensa local, o tremor atingiu a fábrica onde o mineiro trabalhava.

Afetado pela tragédia -- que matou mais de 400 pessoas e deixou prejuízos de US$ 20 bilhões, de acordo com o governo --, Bustos, que é diabético, se dirigiu a Copiapó com a esposa, Carolina, e a filha, para ser empregado na extração.

No acampamento "Esperança", localizado nas proximidades da mina e que reúne familiares dos trabalhadores, uma bandeira branca traz os dizeres "Raúl Bustos Ibáñez, tua família e teus amigos de Talcahuano te esperam".

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