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24/08/2010 - 20h33

Presidente da Argentina vai apresentar relatório sobre Papel Prensa à Justiça

ANSA
BUENOS AIRES, 24 AGO (ANSA) - A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, anunciou hoje que o Executivo apresentará à Justiça o relatório que denuncia que a empresa Papel Prensa foi adquirida ilegalmente pelos jornais Clarín e La Nación através de crimes de lesa-humanidade.

"O procurador do Tesouro e o secretário de Direitos Humanos farão as apresentações onde corresponda para julgar, porque acredito na divisão de poderes, pois só os juízes da República podem condenar", declarou ela.

A mandatária fez no início da noite de hoje um pronunciamento em cadeia nacional para falar sobre o informe de 233 páginas que demonstraria que a aquisição da Papel Prensa -- que produz boa parte do papel jornal usado na Argentina -- foi feita através da coação de seus donos durante a ditadura militar (1976-1983).

Na época, o casal David e Lidia Graiver fechou o negócio em benefício do Clarín, do La Nación e do extinto La Razón. Atualmente, as duas primeiras publicações são as maiores acionistas privadas da Papel Prensa, que também conta com participação do Estado argentino.

Em seu discurso de hoje, no qual citou fatos, datas e ocorrências que confirmariam que os dois acionistas foram presos por repressores, torturados, e obrigados a vender a companhia, Cristina disse que lhe fica "um sabor amargo e uma certeza" de que "há um poder" no país "que está sobre quem exerce a primeira magistratura, o Legislativo e o Judiciário".

"Há décadas que os argentinos e os poderes do Estado têm uma subordinação a determinados interesses. Vi isso em todo o desenvolvimento desse processo", acrescentou ela.

A presidente disse ainda que vai enviar um projeto de lei cujos eixos fundamentais serão "declarar de interesse público a produção de pasta de celulose e papel de jornal", "sua distribuição" e "sua comercialização".

"Em todas as sociedades é preciso controlar. Quero dar transparência absoluta. Quero um país diferente de verdade. Quero uma democracia sem tutela. Quero uma sociedade sem medos", assinalou Cristina.

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