UOL Notícias Notícias
 
25/08/2010 - 09h22

Irmão de proprietário da Papel Prensa nega denúncia do governo argentino

ANSA
BUENOS AIRES, 25 AGO (ANSA) - Os jornais argentinos Clarín e La Nación divulgaram hoje declarações do irmão de David Graiver, Isidoro, que nega a denúncia feita ontem pelo governo de Cristina Kirchner, de que os dois veículos conspiraram com a ditadura para assumir o controle da companhia Papel Prensa.

"Com o escândalo financeiro sobre os ombros, dificilmente o Estado nos convalidaria como acionistas e corríamos o risco de perder todos os investimentos feitos", explica Isidoro Gravier em um texto datado de 23 de julho passado e destinado a María Sol, filha de seu irmão com Lidia Papaleo.

Na carta, publicada pelos dois veículos em suas edições impressas desta quarta-feira, Isidoro Gravier relembra os problemas econômicos pelo qual a família passava e as dívidas que os proprietários da maior fabricante de jornais da Argentina tinham na época da negociação com os jornais Clarín, La Nación e o extinto La Razón.

Segundo ele, em 1976, não havia muitos "candidatos" para a comercialização. Além disso, o "Estado não aceitaria a incorporação de um grupo como o nosso, que estava praticamente quebrado". Foi nesse cenário, "de extrema dificuldade que entrou em contato comigo o senhor Guillermo Gainza Paz", que se apresentara como representante dos jornais para a aquisição das ações da Papel Prensa.

Com base nessa declaração, o Clarín enfatiza que "não houve nenhum crime na operação de compra e venda da empresa". A publicação ressalta ainda que foi o irmão e não a esposa de Graiver "o responsável" pela concretização do negócio.

O pacote acionário da companhia "não foi arrancado da viúva de Graiver sob torturas, como sustenta falsamente em coro com o governo de Cristina Kirchner seus funcionários, porta-vozes e escrivões", completa o diário argentino, forte opositor ao governo.

Na denúncia apresentada ontem, de 26 mil páginas, os dois veículos são acusados de terem sido cúmplices da ditadura militar (1976-1983) e de se apropriarem de forma ilegal da empresa, da qual o Estado tem hoje apenas 27,4% das ações.

A Papel Prensa, que abastece mais de 130 jornais locais, pertencia ao banqueiro David Graiver, que faleceu antes da venda em um acidente aéreo no México. Segundo o governo, a comercialização foi feita pela viúva do empresário, sob ameaças e torturas.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,95
    3,157
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h28

    -1,26
    74.443,48
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host