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Fidel admite responsabilidade na perseguição a homossexuais em Cuba

31/08/2010 15h13

HAVANA, 31 AGO (ANSA) - O ex-presidente cubano Fidel Castro assumiu em uma reportagem veiculada hoje a responsabilidade pela perseguição a homossexuais na ilha caribenha, a partir da vitória da revolução de 1959 até a década de 1970.

"Se alguém é responsável, sou eu", admitiu o líder político de 84 anos, dizendo que esta "foi uma grande injustiça", na segunda parte da entrevista concedida à diretora do jornal mexicano La Jornada, Carmen Lira Saade, divulgada também nos meios cubanos.

Fidel acrescentou que "não podia" se "ocupar do assunto" na época, por se encontrar "imerso, principalmente, na Crise de Outubro [ou Crise dos Mísseis, que envolveu Estados Unidos, União Soviética e Cuba em 1962], na guerra e nas questões políticas".

Em sua opinião, a marginalização dos homossexuais e seu envio para campos de trabalho militar-agrícola "foi se produzindo como uma reação espontânea nas filas revolucionárias, que vinham das tradições" onde também eram discriminados negros e mulheres.

Recentemente foi celebrada em Cuba a Terceira Jornada Contra a Homofobia. A homossexualidade deixou de ser crime na ilha nos anos 1990, apesar de ainda haver assédio policial, e desde 2008 são realizadas operações de troca de sexo gratuitamente, segundo o La Jornada.

Além disso, é possível a troca de identidade de transexuais ou as uniões civis entre pessoas do mesmo sexo. A sobrinha de Fidel Mariela Castro é uma das maiores defensoras dos direitos dos gays e lésbicas no país e lidera o Centro Nacional de Educação Sexual (Cenesex).

Na entrevista, o ex-mandatário também acusou os Estados Unidos de fazerem uma "guerra bacteriológica" contra Cuba e de introduzir na ilha, nos primeiros anos da revolução, o tipo dois do vírus da dengue, devido ao qual "150 pessoas morreram, quase todas crianças".

"Não tínhamos com o que atacar a doença. Ninguém queria nos vender medicamentos e os equipamentos para acabar com o vírus", lembrou Fidel, reconhecendo que para adquirir o remédio, que só era produzido nos EUA, "tivemos que obter as compras por contrabando, ainda que fosse caríssimo. Uma vez, por misericórdia, [os EUA] deixaram trazer um pouco".

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