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13/09/2010 - 10h12

Bento XVI diz se preocupar com mídia orientada a 'fazer notícia'

ANSA
CIDADE DO VATICANO, 13 SET (ANSA) - O papa Bento XVI afirmou se preocupar com a mídia, cada vez mais orientada a "fazer notícia" ainda que "em detrimento da veracidade da história", ao receber as credenciais do novo embaixador da Alemanha junto à Santa Sé, Walter Jürgen Schmidt.

"Ultimamente, fazem refletir certos fenômenos atuantes no âmbito dos meios", que "estando em concorrência cada vez mais forte", "se acreditam forçados a suscitar a máxima atenção possível", declarou o líder máximo da Igreja Católica.

"A coisa se torna particularmente problemática quando personagens de autoridade tomam publicamente posições referentes, sem estar em grau de verificar todos os aspectos de modo adequado", completou o Pontífice.

Bento XVI não fez qualquer alusão ao fato de parte da imprensa internacional ter dirigido críticas à Igreja Católica e a sua atuação perante os inúmeros casos de pedofilia envolvendo o clero e cuja divulgação foi intensificada a partir do ano passado, gerando uma das piores crises recentes da instituição.

Lamentando o influxo de concessões religiosas "permissivas", o Papa falou ainda de sinais, "detectáveis também em tempos recentes", que demonstram o desenvolvimento de novos relacionamentos entre Estado e religião, à margem das grandes igrejas cristãs até agora determinantes.

De acordo com o chefe de Estado do Vaticano, em tal situação "os cristãos têm a função de seguir este desenvolvimento de modo positivo e crítico, para afinar os sentidos para a fundamental e permanente importância do cristianismo em gerir as bases e formar as estruturas da nossa cultura". A Igreja "vê com preocupação a crescente tentativa de eliminar o conceito cristão de matrimônio e família da consciência da sociedade", que "se manifesta como união duradoura de amor entre um homem e uma mulher".

Uma circunstância que se acompanha de um "abaixamento" da "cultura da pessoa" que "não raro" deriva paradoxalmente do crescimento dos padrões de vida. "Um bom êxito dos casamentos depende de todos nós e da cultura pessoal de cada cidadão separadamente", assinalou.

Neste sentido, comentou o Pontífice, a instituição católica não "pode aprovar iniciativas legislativas que impliquem uma reavaliação de modelos alternativos da vida de casal e da família".

Anteriormente, a Santa Sé e seus representantes já haviam se pronunciado contra leis adotadas ou em estudo em diversos países e que autorizam o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a adoção de crianças por casais gays.

As críticas de Bento XVI dirigidas em fevereiro à Equality Bill -- norma que era analisada na época pelo Parlamento britânico, e que dá direitos de igualdade a homossexuais -- é uma das polêmicas que envolvem a visita de Estado que o Papa fará a essa nação nesta quinta-feira, e que enfrenta protestos de entidades locais de defesa dos direitos dos gays.

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