Arábia Saudita rompe relações diplomáticas com o Irã

ROMA, 04 JAN (ANSA) - A Arábia Saudita anunciou o rompimento das relações diplomáticas com o Irã na noite deste domingo (03) e deu 48 horas para que os representantes iranianos deixem o país. Segundo as autoridades sauditas, os membros de seu Corpo Diplomático já deixaram o território iraniano.   

A decisão foi tomada após as invasões de iranianos aos consulados e à Embaixada saudita em Teerã. Os muçulmanos xiitas protestavam contra a execução do líder religioso Nimr al-Nimr, no último sábado (02), condenado por motim, desobediência ao rei e porte de armas.   

Por sua vez, o governo do Irã afirma que a família real está usando a crise como desculpa porque "se beneficia e prospera com o prolongamento das tensões".   

Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Hossein Jaberi Ansari, o sauditas têm usado "o incidente como desculpa para alimentar as tensões". Desde a invasão, o governo iraniano já anunciou a prisão de 50 pessoas envolvidas nas ações violentas.   

"O Irã busca criar relações com os outros e seguir políticas de tolerância. Continuaremos a seguir as nossas políticas democráticas, incluindo os processos eleitorais", disse Ansari alfinetando o fato das mulheres sauditas terem votado pela primeira vez apenas em 2015. Além disso, a fala se referia às eleições gerais que ocorrerão no país no mês de fevereiro, enquanto os governantes nacionais sauditas são escolhidos pelo rei.   

Al-Nimr era um ferrenho crítico da família real saudita e foi preso em 2012, após uma série de protestos da minoria xiita no Bahrein. Antes disso, ele havia estudado por 10 anos no Irã.   

Temendo que as manifestações ultrapassassem as fronteiras, os sauditas fizeram uma parceria militar com os barenitas para reprimir violentamente os protestos.   

O religioso nunca negou sua posição contrária à Arábia Saudita, mas sempre negou que incitou atos violentos ou portou armas. A morte do xiita causou uma série de protestos no Irã, no Bahrein, no Iêmen e no Líbano e fez com que o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, invocasse uma "vingança divina" contra os políticos sauditas.   

A rivalidade entre os dois países têm a ver também com as vertentes religiosas que ambos seguem. Enquanto a Arábia Saudita tem maioria sunita, o Irã é xiita e as correntes têm uma rivalidade de séculos. (ANSA)
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