Após 17 anos,oposição toma controle de Congresso venezuelano

CARACAS, 6 JAN (ANSA) - A nova formação da Assembleia Nacional (AN) venezuelana, que tem "supermaioria" da oposição, tomou posse na tarde da última terça-feira, dia 5, em cerimônia marcada pela tensão com as forças chavistas.   

Em sessão agitada, os chavistas abandonaram o recinto enquanto o novo presidente do órgão, o secretário do partido Ação Democrática (AD), Henry Ramos Allup, tentava divulgar sua agenda legislativa.   

O político de 72 anos substitui o chavista Diosdado Cabello, forte aliado do ex-presidente Hugo Chávez, morto em 2013, na primeira vez que o cargo é ocupado por um opositor em mais de 16 anos. Ramos Allup, que foi impedido de entrar na sede da AN no começo da semana, cercado por militantes chavistas que o insultaram, foi escoltado até a porta do Congresso, assim como outros representantes opositores. O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ordenou que fossem tomadas todas as medidas para que a cerimônia transcorresse em paz. Antes da posse, manifestantes contrários e a favor do novo Congresso se encontraram nas ruas de Caracas. Imprensa local reportou enfrentamentos.   

Refletindo as mudanças políticas, pela primeira vez em anos jornalistas puderam cobrir a sessão e uma emissora estatal transmitiu entrevistas com opositores. Assistindo a cerimônia, a esposa do líder opositor preso desde o ano passado Leopoldo López, Lilian Tintori, segurava um cartaz dizendo: "Anistia Já !". Essa é uma das principais promessas da bancada opositora.   

Além disso, os rivais de Maduro prometem mudanças radicais, enquanto chavistas querem evitar que sejam afetados os ganhos sociais garantidos pela Revolução Bolivariana.   

Em seu discurso, Ramos Allup ainda reiterou a promessa de que tentará elaborar uma estratégia para tirar Maduro do Poder até julho deste ano. A estratégia é criticada por opositores moderados, que defendem passos lentos em direção a uma mudança.   

Em proposta de aprovação unânime, os representantes da oposição querem reforçar a luta contra a corrupção.   

Em pronunciamento realizado mais tarde, Maduro disse que os chavistas "precisarão se acostumar com a nova dinâmica política no país". "Supermaioria" ameaçada - Após anos de embates com o governo de Maduro -- e anteriormente de Hugo Chávez -- a oposição pela primeira vez tem o poder de bater de frente com o chavismo.   

Com dois terços dos assentos na Assembleia, os opositores conquistaram a chamada "supermaioria", que dá a eles poderes semelhantes aos de Maduro.   

A "supermaioria", no entanto, está em risco, após a Corte Suprema venezuelana, formada em sua maioria por aliados do governo, barrar no último minuto a posse de quatro deputados opositores, alegando fraudes eleitorais. (ANSA)
Veja mais notícias, fotos e vídeos em www.ansabrasil.com.br.


Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos