Madaya, a cidade síria que morre de fome

ROMA, 8 JAN (ANSA) - Crianças comem folhas de árvores, enquanto adultos lutam pela carne dos últimos cães e gatos da região. É assim a rotina de luta pela sobrevivência de cerca de 40 mil pessoas encurraladas em Madaya, cidade síria localizada a 25 quilômetros de Damasco e que há meses está cercada por milícias e controles militares do Hezbollah, organização xiita que apoia o ditador Bashar al Assad.   

Morrendo de fome e de frio, a população espera desesperadamente ajuda externa, que atualmente é quase inexistente. Um pequeno suspiro de alívio vem com a notícia divulgada pela Organização das Nações Unidas (ONU) na última quinta-feira, dia 8, de que o regime sírio autorizou a entrada de ajuda humanitária em Madaya.   

Segundo a porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), Melissa Fleming, o governo está empenhado em "permitir que organizações humanitárias cheguem à cidade, onde o primeiro sinal de ajuda é previsto para os próximos dias". No entanto, Damasco ainda não confirmou a informação.   

Há dias, fotos e vídeos chocantes de crianças e pessoas de idade desnutridas e doentes circulam na internet e comprovam a falta de alimentos e remédios na região. De acordo com fontes médicas, nas últimas semanas, cerca de 20 pessoas morreram na cidade situada nas montanhas que separam a Síria do Líbano.   

Madaya também sente frio e, há alguns dias debaixo de neve, precisa lidar com a falta de combustível, destinado a aquecer as casas da população. Também faltam leite, ovos, arroz e farinha, situação que é aproveitada por contrabandistas que vendem produtos simples e de primeira necessidade a preços exorbitantes.   

No entanto, os cerca de 40 mil civis "presos" em Madaya são apenas uma pequena parcela das aproximadamente 400 mil pessoas que estão em regiões sitiadas do país árabe, como nas cidades de Foua, Kafraya, Yarmuck e Zabadani. A maior parte delas está cercada por tropas do exército sírio ou milícias rebeldes locais. Em outros casos, como no município de Deir ez Zor, na parte oriental da Síria, é o Estado Islâmico (EI) quem controla a área.   

A tática de cercar uma cidade e deixá-la sem nenhum contato com o mundo externo, impedindo a chegada de ajuda e suprimentos e a saída dos moradores, é uma das estratégias de guerra mais utilizadas nos conflitos no país, que em quase cinco anos de duração já deixaram em torno de 250 mil mortos. (ANSA)
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