Papa quer Europa 'sem medo' para enfrentar crise imigratória

CIDADE DO VATICANO, 11 JAN (ANSA) - Em um longo encontro com o Corpo Diplomático do Vaticano nesta segunda-feira (11), o papa Francisco pediu que a Europa enfrente a atual crise imigratória com coragem e sem preconceitos.   

"Discernir as causas, prospectar soluções e vencer o inevitável medo sobre a grave emergência imigratória. Grande parte das causas dessa imigração poderiam ter sido enfrentadas há tempos.   

Poderiam ter sido prevenidos tantos desastres, ou ao menos, diminuído as consequências mais cruéis", destacou o Pontífice.   

Ressaltando algumas das maneiras de combates ao problema, o líder católico disse que é preciso "desafiar práticas e hábitos estabelecidos a partir de problemas relacionados com o comércio de armas, o fornecimento de matérias primas e de energia, às políticas financeiras e o apoio ao desenvolvimento até a grave praga da corrupção".   

Para Jorge Mario Bergoglio, é preciso pensar em planos de médio e de longo prazo para permitir que a emergência tenha o tratamento adequado.   

"Assim, de um lado ajudaria efetivamente a integração dos imigrantes nos países de acolhimento e, ao mesmo tempo, favoreceria o desenvolvimento das nações de proveniência com políticas sólidas, mas que não submetam as ajudas estratégicas e as práticas ideologicamente estranhas ou contrárias às culturas dos povos aos quais são endereçadas".   

O sucessor de Bento XVI voltou a bater na tecla do fim do tráfico de pessoas "que comercializa os seres humanos, especialmente os mais fracos e indefesos" e que esse crime está "marcado nas nossas mentes e nos nossos corações com as imagens das crianças mortas no mar".   

O discurso referia-se aos constantes naufrágios de embarcações clandestinas que fazem a travessia no Mar Mediterrâneo em busca de uma vida melhor no continente europeu.   

Convidando os diplomatas a ouvirem o "grito dos imigrantes", Francisco afirmou que "dói perceber que a maioria dos imigrantes não entram nos sistemas internacionais de proteção com base nos acordos internacionais". Para o Bispo de Roma, os "maciços desembarques" e os "temores terroristas parecem fazer vacilar o sistema de acolhimento" da Europa.   

"Muitos imigrantes que vêm da Ásia e da África veem na Europa um ponto de referência para princípios como a igualdade de frente para o direito e valores inscritos na natureza de cada homem, da inviolabilidade da dignidade e da igualdade de cada pessoa, o amor ao próximo sem distinções de origem, da liberdade de consciência e da solidariedade aos seus semelhantes. Todavia, os desembarques nas costas do Velho Continente parecem fazer vacilar o sistema de acolhimento, construído com dificuldades sobre o cenário da Segunda Guerra Mundial e que constitui ainda um farol no qual a humanidade tem referência", destacou.   

Ressaltando que entende "as muitas dúvidas" sobre a adaptação e as diferenças culturais entre as culturas de quem chega e de quem recebe, o Pontífice falou que a atual onda imigratória parece "minar as bases do espírito humanístico" dos europeus.   

Para ele, os valores e princípios de humanidade que os europeus "sempre amaram e defenderam" não podem ser perdidos pela atual sociedade.   

"Permitam-me, portanto, reiterar a minha convicção de que a Europa, ajudada por seu grande patrimônio cultural e religioso, tem as ferramentas para defender a centralidade de cada pessoa e para encontrar o justo equilíbrio entre o duplo dever moral de defender os direitos de seus próprios cidadãos e aquele de garantir a assistência e o acolhimento dos imigrantes", ressaltou.   

Bergoglio aproveitou o momento para agradecer à Itália que "salvou tantas vidas no Mediterrâneo" e lembrou das tragédias evitadas pelos marinheiros do país durante as missões humanitárias.   

- ONU: Francisco aproveitou o momento para pedir que o Primeiro Encontro Humanitário Internacional, que ocorrerá no próximo mês de maio na sede das Nações Unidas, em Nova York, consiga dar soluções para o "triste quadro de conflitos e de desastres" e de atuar "decisivamente contra a cultura de descarte".   

"É importante que as Nações Unidas estejam na primeira fila para lutar contra os problemas atuais e é indispensável iniciar um diálogo franco e respeitoso com todos os países envolvidos. É notável que as imigrações constituem um elemento fundamental para o futuro do mundo, mais do que fez até agora, e as respostas para esse futuro precisam ser feitas de um trabalho comum e respeitoso com a dignidade humana", disse.   

O líder da Igreja Católica afirmou ainda que é "evidente" que apenas uma solução política poderá contribuir para conter a propagação do extremismo e do fundamentalismo com seu papel terrorista que "criam inúmeras vítimas tanto na Síria e na Líbia, como em outros países entre os quais Iraque e Iêmen".   

- Acordo com a Palestina: Durante seu discurso, o papa Francisco lembrou do acordo entre a Palestina e o Vaticano, que entrou em vigor no início de janeiro, como uma das maneiras de convivência pacífica entre as religiões.   

"O acordo firmado e ratificado com a Palestina demonstra, entre outras coisas, como a convivência pacífica entre pertencentes à religiões diversas é possível assim como a liberdade religiosa é reconhecida e a efetiva possibilidade de colaborar com a edificação do bem comum, no recíproco respeito da identidade cultural, é garantida", destacou. CONTINUA (ANSA)
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