Caso envolvendo Camorra movimenta política italiana

ROMA, 12 JAN (ANSA) - Dono de uma plataforma que ataca as práticas tradicionais da política italiana, o Movimento 5 Estrelas (M5S), segunda principal legenda do país atualmente, expulsou a prefeita de Quarto, Rosa Capuozzo, envolvida em uma investigação sobre a influência da Camorra, a máfia napolitana, na administração da cidade.   

Uma investigação conduzida pelo promotor John Henry Woodcock, da Direção Distrital Antimáfia de Nápoles, descobriu que Giovanni De Robbio, o candidato a conselheiro municipal (vereador) mais votado em Quarto nas eleições de 2015, estava chantageando Capuozzo para conseguir favores ao empreendedor Alfonso Cesarano, suspeito de ligação com o clã camorrista dos Polverino. De Robbio também pertencia ao M5S, mas já foi expulso.   

Em uma interceptação telefônica de 24 de novembro do ano passado, a prefeita diz: "De Robbio chuta, chuta, mas não está obtendo nada. Chantageia, chantageia, mas não consegue nada".   

Segundo o promotor Woodcock, ela teve uma "conduta não linear" no caso, embora não esteja sob investigação, já que não atendeu aos pedidos do vereador.   

O humorista Beppe Grillo, líder do Movimento 5 Estrelas, decidiu expulsar Capuozzo por ela não ter denunciado as tentativas de extorsão. Inicialmente, o partido chegou até a defendê-la publicamente, mas mudou de ideia após ela ter se recusado a renunciar.   

"Rosa Capuozzo foi atingida por um procedimento de expulsão do Movimento 5 Estrelas por graves violações dos seus princípios.   

Somos o M5S, e não um PD qualquer", escreveu o comediante em seu blog, fazendo referência ao centro-esquerdista Partido Democrático (PD), do primeiro-ministro Matteo Renzi.   

"É dever de um prefeito do Movimento 5 Estrelas denunciar imediatamente e sem hesitar qualquer chantagem ou ameaça que receba. Nós somos geneticamente diferentes dos outros partidos", acrescentou. No entanto, apesar da expulsão, a legenda continua sendo questionada, já que Capuozzo teria avisado dois de seus principais dirigentes, os deputados Luigi Di Maio e Roberto Fico, sobre as tentativas de extorsão.   

Além disso, em outra interceptação telefônica, um membro do clã de Alfonso Cesarano afirma: "Agora é preciso levar para votar quem quer que seja, até as velhas de 80 anos, e devem colocar o X no Movimento 5 Estrelas, que é a coisa fundamental". O M5S nasceu em 2009 e logo chacoalhou a política italiana, então polarizada entre a centro-esquerda herdeira do Partido Comunista e a centro-direita liderada por Silvio Berlusconi.   

Nas eleições parlamentares de 2013, a legenda de Beppe Grillo se tornou a segunda maior força da Câmara dos Deputados e a terceira maior do Senado, promovendo uma oposição bastante dura aos governos de Enrico Letta e Matteo Renzi. No entanto, a dificuldade em se aliar a siglas tradicionais faz com que ela se mantenha longe do poder, com exceção de cidades de menor importância, como Quarto, que fica na região metropolitana de Nápoles. (ANSA)
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