Líder da Comissão Europeia critica Renzi e clima esquenta

BRUXELAS, 15 JAN (ANSA) - Após um período de relativa calma entre a Itália e a União Europeia, o presidente da Comissão, Jean-Claude Juncker, voltou a atacar a postura do primeiro ministro italiano, Matteo Renzi, nesta sexta-feira (15).   

"Hesito sempre em exprimir o mesmo vigor com o qual Renzi se dirige a mim porque nem sempre as coisas são justas. Eu acredito que o primeiro-ministro italiano, que amo muito, tenta vilipendiar a Comissão em cada ocasião, mas não entendo o porque disso", falou Juncker na conferência de início de ano em Bruxelas.   

Segundo o líder da Comissão, "a Itália não deveria" criticar tanto a entidade porque nós "introduzimos a flexibilidade contra a vontade de alguns Estados-membros que muito dizem dominar a Europa".   

A referência de Juncker tem a ver com a postura da Alemanha, que é a favor da austeridade e de um maior controle econômico e fiscal sobre o bloco, ao passo que a Itália sempre defendeu uma maior abertura para impulsionar a economia europeia. Nos últimos dois anos, o debate entre essas duas visões rendeu discussões acaloradas de ambos os lados e "discussões" públicas entre os líderes.   

Ele ainda rebateu o fato de "Renzi ter dito a esse Parlamento que foi ele que introduziu a flexibilidade, porque isso fui eu, eu que fiz".   

- União Europeia: O luxemburguês aproveitou para criticar algumas nações europeias nos recentes debates sobre o futuro do bloco e, especialmente, na questão de cotas e ajuda aos refugiados.   

"Estou impressionado com a fragilidade da UE e dos rompimentos ocorridos ou que se anunciam. Há uma 'policrise' não controlada inteiramente", disse Juncker citando os problemas dos refugiados ao terrorismo e da crise na Ucrânia e a Rússia. Ele destacou que "fará de tudo para evitar esse sentimento de início do fim da Europa".   

Sobre um dos pontos mais polêmicos debatidos nos últimos tempos, o fim do Tratado de Schengen, o presidente da Comissão fez um alerta sobre os efeitos econômicos que ele teria sobre toda a Europa.   

"Ninguém fala da ligação entre o Schengen e a liberdade de circulação dos capitais. O fim de Schengen poderá colocar em risco o fim da união econômica e monetária e o problema do desemprego será ainda mais importante. É preciso olhar as coisas em seu conjunto", ressaltou.   

Sobre o controle de fronteiras, do qual também é contra, o representante europeu afirmou que eles têm um "preço". "Como por exemplo, aquele entre a Suécia e a Dinamarca custam 300 milhões de euros em perda de receitas e aquele entre a Alemanha e a Dinamarca, outros 90 milhões de perdas", finalizou. (ANSA)
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