Após bate-boca, Renzi volta ao ataque contra a UE

CASERTA, 16 JAN (ANSA) - É cada vez pior o clima entre a União Europeia e o governo da Itália. Neste sábado (16), o primeiro-ministro Matteo Renzi voltou ao ataque contra Bruxelas e disse que seu país não será "telecomandado" pelo bloco.   

Durante uma visita ao palácio de Reggia di Caserta, na região da Campânia, o premier ainda declarou que a Europa não pode ser apenas "um pacote de regras" que cada Estado-membro deve seguir.   

"A Itália deve se fazer ouvir e se fazer entender, com a gentileza que lhe é própria, porque acabou o tempo no qual nos telecomandavam de fora", afirmou.   

Na última sexta-feira (15), Renzi já havia dito que Roma não se deixaria "intimidar" por Bruxelas e que sua nação "merecia respeito". Os ataques são uma resposta às recentes críticas de Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia (o poder executivo da UE), ao primeiro-ministro.   

O luxemburguês acusou o chefe de governo de "vilipendiar" constantemente as instituições do bloco e salientou que os méritos pela flexibilização das normas europeias na área econômica - uma das principais bandeiras de Renzi - são dele, e não do premier.   

Desde que chegou ao poder, em fevereiro de 2014, o primeiro-ministro vive em um constante "morde e assopra" com Bruxelas. Apesar de ser europeísta convicto, ele nunca perde uma oportunidade de criticar a rigidez do bloco, suas políticas de austeridade e a falta de solidariedade no combate à emergência dos refugiados.   

Segundo a imprensa italiana, o bate-boca público com Juncker levou as relações entre Roma e a Comissão Europeia ao "mínimo histórico". Por outro lado, alguns jornais ressaltam que essa pode ser uma estratégia de Renzi para tirar votos dos principais adversários do seu Partido Democrático (PD), o Movimento 5 Estrelas (M5S) e a Liga Norte, ambos contrários à UE.   

Em 2016, a Itália realizará eleições municipais nas principais cidades do país e terá um referendo sobre a reforma constitucional proposta por Renzi, que já prometeu deixar a política caso o projeto não receba o aval das urnas. (ANSA)
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