Ainda sem respostas, morte de Nisman completa 1 ano

BUENOS AIRES, 18 JAN (ANSA) - A morte do promotor argentino Alberto Nisman, que aconteceu em circunstâncias suspeitas, completa um ano nesta segunda-feira, dia 18, ainda sem ter sido esclarecida. Na época, ele investigava o envolvimento da então presidente Cristina Kirchner no acobertamento de suspeitos iranianos do atentado ao centro judaico Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA), que deixou 85 mortos e mais de 300 feridos em 1994. O promotor foi achado sem vida em seu apartamento uma semana após a acusação, enquanto trabalhava em uma denúncia que incluía pedidos de detenção da mandatária e do chanceler Hector Timmerman. Em janeiro do ano passado, o promotor especial acusou Cristina de "decidir, negociar e organizar um plano de impunidade e acobertar os foragidos iranianos acusados pela explosão [da Amia] com o objetivo de fabricar a inocência do Irã". Segundo o magistrado, a presidente teria motivos comerciais, como intercâmbio de petróleo e grãos. Sua morte aconteceu um dia antes de discursar na Comissão de Legislação Penal da Câmara de Deputados, onde disse que apresentaria novas informações sobre o caso. No último final de semana, o presidente Mauricio Macri recebeu as filhas de Nisman, Iara, de 16 anos, e Kala, de 9 anos.   

Durante a visita ele prometeu que fará justiça.   

Em mais um gesto que demonstra suas diferenças com Cristina Kirchner na forma de conduzir o governo, Macri ordenou recentemente a abertura de todos os arquivos relacionados à investigação do caso. Os documentos serão enviados à juíza Fabiana Palmaghini, encarregada de rever as circunstâncias da morte.   

No âmbito das mudanças fomentadas pelo governo Macri, a Justiça argentina declarou ainda em dezembro como inconstitucional o Memorando de Entendimento firmado com o Irã em janeiro de 2013 no âmbito da investigação. Circunstâncias da morte - Nisman foi encontrado morto na noite de 18 de janeiro no banheiro de sua casa em um bairro luxuoso em Buenos Aires.   

Ainda não se sabe se ele se suicidou ou foi morto. A coincidência da data levantou a suspeita de que teria sido uma queima de arquivo. O corpo do promotor foi encontrado com um tiro na cabeça. Ao lado do cadáver, havia uma pistola de calibre 22, que, no entanto, não lhe pertencia. Um exame negou presença de pólvora na mão do promotor. Pouco antes de morrer, ele disse a um colaborador próximo que não confiava em seus seguranças. O que se sabe até agora é que a cena do crime possivelmente foi violada e que as provas levantadas corroboram com as duas hipóteses.   

Descontente, a família de Nisman contratou investigadores particulares.   

Histórico - O ataque, causado por um carro-bomba, à sede da Amia, no bairro Once, região central de Buenos Aires, deixou 85 mortos e cerca de 300 feridos. Os responsáveis pelo ataque terrorista nunca foram identificados com certeza ou julgados. A Argentina é o país latino-americano com o maior número de judeus, são cerca de 300 mil diante dos 100 mil no Brasil.   

(ANSA)
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