Erro de grafia faz menino virar suspeito de terrorismo no Reino Unido

Em Londres

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    Exemplo de uma casa com terraço no Reino Unido

    Exemplo de uma casa com terraço no Reino Unido

Um erro de grafia desencadeou um problema policial na Inglaterra, após um menino muçulmano de 10 anos escrever durante uma aula de inglês que morava em uma "terrorist house" (casa de terroristas), em vez de dizer "terraced house" (estilo arquitetônico de casas típicas do Reino Unido). Os professores não entenderam o erro e, sem pedir uma explicação ao aluno ou aos pais, decidiram acionar a polícia, aplicando as novas disposições de segurança contra o terrorismo no país, introduzidas pelo governo do premiê David Cameron.

O menino foi interrogado pela polícia do condado de Lancashire. Os agentes também investigaram os computadores da casa da família para apurar se havia indícios de atividade terrorista. Nada foi encontrado.

A família demonstrou ter ficado chocada com a atitude da polícia e da escola e disse que o menino está assustado com as consequências de um simples erro ao escrever.

O incidente ocorre em um clima crescente de tensão no Reino Unido em relação à comunidade islâmica britânica. O governo lançou uma série de medidas para conter a radicalização e a integração a grupos extremistas, como o Estado Islâmico (EI), que já recrutou dezenas de cidadãos do país. A Lei de Segurança e Antiterrorismo entrou em vigor em 2015 e, entre as medidas, prevê que as escolas sejam obrigadas a reportar tentativas de radicalização infantil e juvenil.

Na França, o clima também é delicado em relação aos muçulmanos. Depois de ser alvo de atentados em 2015, o país triplicou o número de ataques contra muçulmanos, de acordo com o ministro do Interior francês, Bernard Cazeneuve. Em entrevista ao jornal católico "La Croix", o ministro disse que, de um lado, os crimes antissemitas caíram 5% e chegaram a 806", enquanto os ataques a muçulmanos triplicaram e "rondam os 400".

O presidente do Observatório Nacional contra islamofobia, Abdallah Zekri, confirmou os dados e informou que, em 2015, ocorreram 429 crimes e ameaças, um recorde na França.

Em 13 de novembro do ano passado, o Estado Islâmico realizou uma série de ataques simultâneos em Paris, provocando a morte de 130 pessoas. Nesta quarta-feira (20), o grupo publicou uma foto celebrando os atentados e elogiando os jihadistas. No banner divulgado nas redes sociais e na revista oficial do EI, a Dabiq, aparecem até nomes de homens envolvidos nos atos e seus países de origem: há três belgas, três franceses e dois iraquianos.

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