Italianos saem às ruas defendendo união civil gay

ROMA, 23 JAN (ANSA) - Milhares de italianos saíram às ruas de diversas cidades do país neste sábado, dia 23, para defender a legalização da união homossexual e o direito de adoção por casais gays -- questões que serão debatidas no Senado na próxima semana.   

Com o slogan "Acorde Itália! É hora de sermos civilizados!" e portando a bandeira do arco-íris, simpatizantes da causa estão realizando manifestações em cerca de 40 cidades de toda a Itália.   

Uma norma que prevê a legalização da união civil entre pessoas do mesmo sexo começará a ser debatida na próxima quinta-feira no Senado italiano, após as discussões sobre os direitos gays terem sido mantidas por anos à margem do debate público.   

"Estamos em um momento decisivo. As uniões civis são uma realidade na sociedade, elas também devem se tornar reais dentro do nosso sistema legal", defendeu a autora do projeto, a senadora Monica Cirinnà.   

A Itália é o único dos maiores países europeus que ainda não possui uma legislação para os casamentos gays. Um dos termos mais polêmicos do projeto em trâmite, no entanto, é a adoção. Segundo o texto atual, o casal homossexual poderia adotar uma criança gerada por um dos pais, mas não filhos de terceiros - como acontece em uniões heterossexuais. Papa - No meio da discussão, o papa Francisco afirmou em audiência nesta sexta-feira (22) que não pode "haver confusão" na Igreja entre o que é a família que Deus quer e o que são os outros tipos de união. Declaração resume a linha defendida pela Igreja Católica, apesar de o papa Francisco sinalizar uma abertura quando disse, no começo de seu pontificado, que os gays e os divorciados não podem ser julgados.   

Em 2013, Francisco disse que "se uma pessoa é gay e procura Jesus, e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-la? O catecismo diz que não se deve marginalizar essas pessoas". A declaração do Papa foi manchete de jornais de todo o mundo, pois foi uma das raras vezes em que um Pontífice demonstrou publicamente abertura para que a Igreja acolha os homossexuais. (ANSA)
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