Roma cobre estátuas em visita de Rohani e gera polêmica

ROMA, 27 JAN (ANSA) - A decisão de cobrir as estátuas e bustos nus nos Museus Capitolinos, em Roma, por ocasião da visita oficial do presidente do Irã, Hassan Rohani, gerou uma série de polêmicas no país. O ministro dos Bens Culturais e do Turismo da Itália, Dario Franceschini, veio à público nesta quarta-feira (27) explicar que a iniciativa não partiu do poder Executivo, e que nem o premier Matteo Renzi nem o presidente Sergio Mattarella sabiam que os monumentos tinham sido cobertos, em respeito ao Islã. "Nem Renzi foi informado da ideia de cobrir as estátuas. Acho que havia outras maneiras mais fáceis de não contrariar a sensibilidade de um hóspede estrangeiro sem essa coisa incompreensível de cobrir as estátuas", criticou o ministro, que chegou a levar Rohani para visitar nesta manhã o Coliseu, um dos principais monumentos de Roma. O próprio presidente iraniano tentou minimizar a polêmica das estátuas durante uma conversa com jornalistas. "Não teve nenhum contato prévio para pedir isso", comentou o mandatário. "Os italianos são muito hospitaleiros e tentam fazer de tudo para proporcionar uma boa estadia. Eu agradeço por isso", disse Rohani. Diversas entidades italianas se revoltaram contra a medida tomada pelos Museus Capitolinos e exigiram que o responsável por cobrir as estátuas seja afastado do seu cargo. "Quem tomou essa decisão deve ser imediatamente afastado devido aos graves danos à imagem e à honra de Roma e de toda a Itália.   

Pelo 'mico' que o país pagou em nível mundial", disse o presidente da associação em defesa dos consumidores Codacons, Carlo Rienzi. Os Museus Capitolinos são um conjunto de palácios romanos que abrigam uma vasta coleção de obras de arte. Eles estão localizados no topo da colina do Capitólio. Viagem - O presidente do Irã iniciou na última segunda-feira (25) uma viagem de três dias à Itália, como parte de um giro internacional que faz pela Europa pela primeira vez desde que foram derrubadas as sanções contra Teerã por seu programa nuclear.   

Em Roma, Rohani se reuniu com autoridades políticas e com o papa Francisco. Na maioria dos encontros, foi debatida a abertura do Irã para os mercados internacionais, assim como o papel que o país desempenha no Oriente Médio e na luta contra o terrorismo.   

Em uma coletiva de imprensa nesta manhã, Rohani contou que discutiu com o papa Francisco temas "políticos e espirituais".   

"Concordamos que a liberdade de expressão não significa ofender a religião dos outros", disse. Além disso, os dois destacaram a necessidade de eliminar do mundo "todos os arsenais de armas de destruição de massa".   

Por anos, Teerã foi alvo de críticas e suspeitas da comunidade internacional de que estaria construindo uma bomba atômica para fins militares. Em represália, o país foi alvo de sanções econômicas até chegar a um acordo com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) para fiscalização das operações de enriquecimento de urânio. "Com o fim das sanções, deixamos para trás o inverno e esperamos caminhar rumo à primavera", comentou Rohani, demonstrando otimismo com a nova fase de relações com o Ocidente. (ANSA)
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