Aliado de Macri duvida de número de vítimas da ditadura

BUENOS AIRES, 28 JAN (ANSA) - O secretário de Cultura de Buenos Aires e aliado de Mauricio Macri, Darío Lopérfido, causou polêmica ao colocar em dúvida o número real de vítimas da última ditadura militar no país (1976-1983), uma questão delicada no país.   

"Não houve 30 mil desaparecidos na Argentina. Esse número foi acertado em uma mesa", disse em entrevista, levantando críticas, especialmente da Associação Avós da Praça de Maio, que busca os cerca de 500 filhos de presos que desapareceram durante o período.   

"Nós trabalhamos com esse dado porque os próprios genocidas falam em 45 mil [vítimas]. Ainda continuamos a receber notícias de netos que nasceram em cativeiro, pois há pessoas que só agora decidiram contar a verdade. Que maldade começar agora a manipular números! Que ele nos mostre a lista dos que considera como desaparecidos, se é que a tem", disse a líder do grupo, Estela de Carlotto.   

Lopérfido usou como base uma pesquisa de Graciela Fernández Meijide, uma conhecida militante política e mãe de um desaparecido, que diz que o número de vítimas seria aproximadamente 9 mil. A cifra coincide com um número dado pelo ex-ditador Jorge Rafael Videla, que falava em 8 mil mortos.   

Em resposta, Lopérfido disse que sua fala foi tirada de contexto e as reações descabidas. Segundo ele, são resquícios da época kirchnerista, "quando alguém dizia algo e outro o insultava e agredia" e que não vai se privar de citar dados alternativos.   

Governo Macri - Apesar da série de mudanças implementadas desde que assumiu o Poder no final do ano passado, o presidente argentino, Mauricio Macri, promete dar a mesma atenção a questões relacionadas a ditadura militar que o kirchnerismo deu nos últimos 12 anos.   

Na prática, isso não parece acontecer, e a fala do secretário, seu aliado, é mais um exemplo disso.   

A relação com as Avós da Praça de Maio, por sua vez, já começou complicada. Grande aliada da ex-presidente Cristina Kirchner - inimiga nº 1 de Macri durante seu governo -, Carlotto reclamou recentemente que Macri se recusou a se reunir com ela, alegando falta de tempo. (ANSA)
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