Após reunião bilateral, Renzi e Merkel demonstram união

BERLIM E ROMA, 29 JAN (ANSA) - A chanceler alemã, Angela Merkel, e o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, demonstraram um clima amistoso após um encontro bilateral a portas fechadas em Berlim nesta sexta-feira (29). Com posturas diferentes, especialmente na questão econômica, os líderes quiseram mostrar que essas divergências não estão dividindo a Europa.   

"Vivemos um momento de grandes desafios, mas há um espírito europeu que nos une", disse Merkel no início da coletiva de imprensa. Já Renzi iniciou sua fala destacando que, apesar do "pouco tempo", as conversas foram "verdadeiramente amistosas".   

"Estamos em um momento delicado da história da Europa e sinto toda a responsabilidade. A Itália está unida à Alemanha no que diz respeito a questão de querermos mais a Europa, uma Europa mais forte, capaz de dar as respostas a todos os problemas da imigração à economia", ressaltou o premier.   

Segundo Renzi, "nós não estamos de acordo com tudo", mas "acreditamos que combater o desemprego é combater o populismo já que nosso adversário é o mesmo". Relembrando a história do continente, o italiano destacou que é preciso que ele "volte a ser digno de seu próprio passado".   

Um dos principais temas abordados por ambos foi a questão da crise imigratória e sobre como enfrentá-la. Itália e Alemanha têm posturas parecidas sobre o acolhimento dos refugiados e daqueles que precisam de asilo.   

Os dois ressaltaram que é preciso "fechar um acordo com a Turquia" que, mesmo sendo o país em que mais imigrantes sírios buscam refúgio é a nação "porta de entrada" para os estrangeiros. Merkel classificou a situação de "urgente" enquanto Renzi lembrou que já autorizou uma ajuda aos turcos mas que seu país "ainda está esperando a Comissão Europeia agir".   

O órgão europeu, aliás, tem sido um dos principais alvos das críticas da Itália seja pela questão da flexibilidade econômica bem como sobre a demora em agir na crise imigratória.   

"Estaremos presentes na conferência de Londres sobre a Síria para discutir a ajuda a ser dada aos deslocados sírios no Líbano, na Jordânia e internamente. Na Líbia, a Alemanha e a Itália podem fazer mais, mandando missões militares para treinar as forças de segurança", destacou Merkel. Segundo a líder alemã, ainda não há detalhes desses reforços, mas eles poderão começar assim que o governo unitário da Líbia for formado.   

Voltando a fazer críticas indiretas à Comissão, o italiano afirmou que "não há problemas com Turquia ou Alemanha, mas estamos esperando que as instituições europeias nos deem respostas sobre alguns pontos questionado para agir rapidamente".   

"Com a Alemanha, nós estamos em todos os palcos do mundo como no Afeganistão, Líbia, Balcãs. Mas hoje, para nós, é fundamental explicar que é preciso uma estratégia complexa para a Europa. Em frente ao drama da imigração, que durará por anos, não pode haver um gestão pensando em pequenos pontos", criticou.   

Para o premier, seu país recebe "há anos" centenas de milhares de pessoas, mas que agora a Itália quer fazer parte de "um trabalho comum também na área dos Balcãs".   

"Estamos dispostos a fazer a nossa parte, mas com a condição de que não esqueçamos o ideal que nos move: a Europa nasceu para destruir e não para construir muros", em uma clara referência às cercas de arame farpado construídas por alguns países europeus para impedir a entrada de imigrantes.   

- Economia e flexibilidade: Ao falarem sobre as questões econômicas, ponto das maiores divergências entre os líderes, os dois voltaram a apresentar visões diferentes, mas sem revanchismos.   

"Pela primeira vez não estou aqui com um monte de promessas, com sim com muitas reformas e resultados. A Itália não é mais problema para a Europa", voltou a afirmar o premier.   

Merkel, por sua vez, elogiou a série de reformas e mudanças implantadas tanto na política e na economia italianas. Para a chanceler, "a agenda de reformas muito ambiciosa coloca a Itália na direção certa" e que ela propicia um novo encontro bilateral para debater os principais temas econômicos. "Precisamos reforçar nossa colaboração bilateral", confirmou Merkel.   

Já sobre a flexibilidade no cumprimento de metas fiscais - muito defendida por Renzi e não desejada por Merkel - os dois falaram sob pontos de vistas bem diferentes. Porém, para a alemã, "a coisa mais bonita é que quando se trata da comunicação sobre a flexibilidade, ambos aceitamos que há interpretações divergentes da Comissão Europeia".   

Segundo a líder alemã, esse posicionamento divergente não causa problemas na relação entre as duas nações. "Não misturo as coisas porque é dever da Comissão decidir qual é a interpretação correta", reforçou.   

O premier italiano, no entanto, diz que a Itália "é a primeira a concordar" com a redução dos gastos públicos e que ele não diz isso para "agradar Merkel, mas para agradar o futuro dos meus filhos", finalizou. (ANSA)
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