Entenda como funcionam as eleições nos Estados Unidos

Por Sarah Germano SÃO PAULO, 28 JAN (ANSA) - Na próxima segunda-feira, dia 1, tem início mais um processo eleitoral nos Estados Unidos, que culminará com a escolha do substituto de Barack Obama em novembro.   

O Partido Democrata quer garantir um sucessor na Casa Branca. A ex-secretária de Estado e ex-primeira-dama Hillary Clinton está à frente nas pesquisas, mas está sendo ultrapassada em alguns estados pelo senador socialista Bernie Sanders.   

Entre os republicanos, o polêmico magnata Donald Trump está em disparada na frente. Ted Cruz, no entanto, vem ganhando força.   

Ao contrário do que acontece no Brasil não se tratam de eleições diretas e termos como "primárias", "delegados" e "caucus" podem parecer estranhos.   

A cientista política e coordenadora do Observatório Político dos Estados Unidos, Solange Reis, destaca que as eleições nos EUA "são complexas e indiretas". Pensando nisso a ANSA Brasil montou um glossário sobre o tema.   

Confira: Antecipação: Os partidos costumam realizar as primárias e caucus meses antes das eleições como forma de aumentar a popularidade de seus candidatos.   

Candidato: É o nome escolhido pelos partidos após as primárias e caucus para representar a legenda nas eleições.   

Caucus: "O caucus é uma reunião na qual eleitores debatem e escolhem os delegados que os representarão", explica Reis. É importante lembrar que os nomes dos delegados passam pela aprovação dos pré-candidatos. "Quando um eleitor escolhe um delegado no caucus ou nas primárias está indicando qual pré-candidato prefere. Dessa forma, seu voto funciona como bússola", acrescenta.   

Colégio Eleitoral: Quem elege o presidente é o Colégio Eleitoral, formado pelos delegados de cada estado. Do total de 538 votos, um candidato precisa receber 270 para vencer.   

"O número de representantes ao qual cada estado tem direito corresponde à soma de deputados e senadores que possui no Congresso. Como cada estado tem direito a dois senadores, independentemente do tamanho de sua população, é possível que haja diferença entre a escolha popular e a do colegiado". Ou seja, um candidato pode ter recebido mais votos que outro em um estado que tem menos representantes no Colégio, o que irá interferir no resultado. Além disso, caso perca em um estado, o candidato não leva nenhum delegado, enquanto o vencedor leva todos.   

Convenção Nacional: Uma vez terminadas as primárias e caucus, os delegados eleitos participam das convenções nacionais, quando nomeiam o candidato à Presidência, geralmente aquele que obteve maior número de delegados. O nomeado pode decidir quem será seu vice ou deixar a escolha em cargo dos delegados.   

Delegado: Delegados são escolhidos pela população nos caucus e primárias. Cada estado elege um número de delegados proporcional à sua população. Dependendo das mudanças demográficas, um estado pode ganhar ou perder importância eleitoral. "É importante informar que, mesmo que o nome do pré-candidato conste na cédula de votação, o eleitor estará de fato elegendo um delegado comprometido com uma determinada candidatura", lembra Reis.   

Eleição: A população volta às urnas em novembro para escolher entre os candidatos à Presidência, mas, na prática, vota em outros delegados indicados pelos partidos, que representarão a legenda no Colégio Eleitoral. Votação ocorre na terça-feira após a primeira segunda-feira do mês de novembro.   

Eleitores indecisos: Aqueles que não são fiéis a um candidato ou partido e podem determinar os resultados das eleições. O peso do voto das minorias, como latinos, imigrantes em geral, negros e mulheres poderá ser decisivo. Por essa razão temos que olhar para os estados com muitas minorias, o que exige sempre estarmos atentos aos deslocamentos demográficos, lembra a professora.   

Estados indecisos: Há também os chamados "swing states", onde nenhum candidato ou partido têm maioria. Entre outros, Colorado, Nevada, Ohio, Carolina do Norte, além da própria Flórida e de Iowa, são alguns estados pêndulos, que podem decidir as eleições.   

Partido Democrata: De posição mais centrista, elegeu Barack Obama. Seus principais pré-candidatos são Hillary Clinton, esposa do ex-presidente Bill Clinton, e o senador Bernie Sanders.   

Partido Republicano: Mais conservador, elegeu George W. Bush antes do atual presidente Barack Obama. Tem o magnata Donald Trump e o senador Ted Cruz à frente nas pesquisas.   

Primárias: Funcionam como uma eleição no âmbito estadual para escolher os candidatos que concorrerão ao cargo de presidente -- escolha que é feita com a soma dos resultados estaduais. "As primárias são como uma eleição tradicional, com as pessoas em fila para depositar o voto na urna. Assim como os caucus, podem ser fechadas ou abertas", explica a especialista.   

Primárias fechadas: Os eleitores escolhem entre os pré-candidatos ou delegados do partido ao qual esteja filiado.   

Primárias abertas: Os eleitores são livres para escolher entre pré-candidatos ou delegados de qualquer partido, sem necessidade de filiação. "O eleitor, porém, só pode participar de uma única primária", acrescenta.   

Super Terça: A Super Terça acontece desde meados dos anos 1980.   

É uma terça-feira, geralmente em fevereiro ou março, em que são realizadas primárias em diversos estados. Os resultados costumam ter grande peso na decisão do candidato presidencial. Neste ano acontece em 1º de março.   

Voto: O voto não é obrigatório nos Estados Unidos e muitas vezes pode ser antecipado. (ANSA)
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