Argentina anuncia pré-acordo com credores italianos

ROMA, 2 FEV (ANSA) - Após quase 15 anos, deve ter fim a contenda entre o governo argentino e os cerca de 50 mil italianos que investiram nos "Tango Bond", títulos da dívida argentina, que não aceitaram o valor reestruturado oferecido durante o governo de Cristina Kirchner.   

O ministro de Fazenda e Finanças argentino, Alfonso Prat-Gay, anunciou hoje, dia 2, em coletiva de imprensa na Casa Rosada, um pré-acordo com os investidores italianos.   

Ainda de acordo com Prat-Gay, o acordo com os italianos representa um primeiro passo na resolução da questão dos "Fundos Abutres" e ele pretende, com a medida, "ir normalizando as relações financeiras internacionais" do país.   

O pré-acordo pretende um pagamento de US$ 900 milhões a cerca de 50 mil credores italianos. A quantia representa 15% da dívida que ficou de fora dos acordos de 2005 e 2010.   

"[O presidente Mauricio] Macri quer chegar a um acordo o mais rápido possível. Alguns credores querem cobrar uma taxa de interesse inaceitável. Por isso estamos ainda trabalhando nisso", explicou.   

O default da Argentina tem suas origens em dezembro de 2001, quando a nação sul-americana declarou moratória da sua dívida externa. Em 2005 e 2010, o governo conseguiu renegociar esses títulos públicos com 92% dos credores, que concordaram em receber um valor menor em um prazo mais longo.   

Contudo, os 8% restantes não aceitaram o acordo e venderam os papéis a hedge funds, fundos de investimento especializados em ativos de alto risco. Alguns deles têm como prática adquirir títulos de dívidas públicas não pagos para depois cobrar o valor integral na Justiça. Foi o que aconteceu neste caso. No dia 30 de junho de 2014, o país chegou a depositar US$ 539 milhões para pagar uma parcela aos credores que aceitaram a renegociação, mas uma corte dos Estados Unidos presidida pelo juiz Thomas Griesa bloqueou o dinheiro. O argumento do magistrado é que a Argentina teria de pagar também US$ 1,3 bilhão aos hedge funds (apelidados no país de "fundos abutres") que não aceitaram a reestruturação. No entanto, caso fizesse isso, os credores que fazem parte dos outros 92% - e que concordaram em receber valores menores - poderiam reivindicar a quantia integral. Por esse motivo, Buenos Aires preferiu não depositar o US$ 1,3 bilhão, mesmo tendo reservas para isso. Com moratória técnica por conta dos tramites judiciais, Macri quer articular um acordo, a fim de voltar a tomar empréstimos no exterior para financiar obras públicas, sua estratégia para retomar a economia local. (ANSA)
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