Argentina pode pagar credores italianos a partir de maio

ROMA, 3 FEV (ANSA) - Os cerca de 50 mil italianos que investiram nos "Tango Bonds", títulos da dívida argentina, que não aceitaram o valor reestruturado oferecido durante o governo de Cristina Kirchner, devem ser pagos em maio ou junho, informou o líder da chamada Força Tarefa Argentina (TFA), Nicola Stock, em entrevista à ANSA . O ministro de Fazenda e Finanças argentino, Alfonso Prat-Gay, anunciou na última terça-feira, dia 2, em coletiva de imprensa na Casa Rosada, um pré-acordo com os investidores italianos. O pré-acordo pretende um pagamento de US$ 900 milhões aos credores italianos. A quantia representa 15% da dívida que ficou de fora dos acordos de 2005 e 2010. "Esperamos que, uma vez que o Congresso argentino dê a luz verde, poderemos esperar que os nossos investidores sejam pagados entre maio e junho", disse Stock "É importante que o pagamento seja feito em dinheiro, pois muitos investidores são idosos e esperaram por muitos anos", concluiu.   

Grande parte dos investidores em títulos da dívida argentina eram italianos, em sua maioria idosos e aposentados que esperam há cerca de 14 anos pelo reembolso.   

Histórico - O caso teve início em dezembro de 2001, quando a nação sul-americana declarou moratória da sua dívida externa. Em 2005 e 2010, o governo conseguiu renegociar esses títulos públicos com 92% dos credores, que concordaram em receber um valor menor em um prazo mais longo. Contudo, os 8% restantes não aceitaram o acordo e venderam os papéis a hedge funds, fundos de investimento especializados em ativos de alto risco. Alguns deles têm como prática adquirir títulos de dívidas públicas não pagos para depois cobrar o valor integral na Justiça. No dia 30 de junho de 2014, o país chegou a depositar US$ 539 milhões para pagar uma parcela aos credores que aceitaram a renegociação, mas uma corte dos Estados Unidos presidida pelo juiz Thomas Griesa bloqueou o dinheiro. O argumento do magistrado é que a Argentina teria de pagar também US$ 1,3 bilhão aos hedge funds (apelidados no país de "fundos abutres") que não aceitaram a reestruturação. No entanto, caso fizesse isso, os credores que fazem parte dos outros 92% - e que concordaram em receber valores menores - poderiam reivindicar a quantia integral. Por esse motivo, Buenos Aires preferiu não depositar o US$ 1,3 bilhão, mesmo tendo reservas para isso. Com moratória técnica por conta dos tramites judiciais, o presidente Mauricio Macri quer articular um acordo, a fim de voltar a tomar empréstimos no exterior para financiar obras públicas, sua estratégia para retomar a economia local. (ANSA)
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