Ministra italiana expõe divisão do governo sobre união gay

ROMA, 03 FEV (ANSA) - A ministra da Saúde da Itália, Beatrice Lorenzin, se pronunciou nesta quarta-feira (3) de maneira enfática contra o projeto que autoriza a união civil entre pessoas do mesmo sexo no país, dizendo que a iniciativa pode abrir caminho para as "barrigas de aluguel", prática que ela considera uma "ultraprostituição".   

Membro do partido conservador Nova Centro-Direita (NCD), Lorenzin expôs a divisão sobre o tema existente dentro do governo de centro-esquerda comandado pelo primeiro-ministro Matteo Renzi. Sua principal crítica ao projeto diz respeito à "stepchild adoption" ("adoção de enteado", em tradução livre), que permite a homossexuais registrarem os filhos de seus parceiros, mas apenas na ausência do outro pai biológico.   

Pela lógica da ministra, isso poderia abrir espaço para gays contratarem barrigas de aluguel, até em outros países, para terem uma criança. Em seguida, seu parceiro a adotaria, já que o nome da mãe não estaria em seus documentos.   

"O corpo da mulher não é um forno que se acende para cozinhar a torta de outra pessoa, que, quando a torta chega ao ponto certo, apaga o forno e a leva embora. Em todo o mundo há uma antiga batalha contra a mercantilização do corpo feminino e das crianças. O pior pesadelo de uma mulher é se ver separada de seu filho recém-nascido", disse Lorenzin.   

Ela também pediu para as parlamentares italianas não confundirem união civil com adoção. "Estamos na ultraprostituição", acrescentou, referindo-se às barrigas de aluguel. A ministra ainda defendeu os direitos das crianças de "terem um pai e uma mãe".   

A "stepchild adoption" é um dos principais entraves para a aprovação do projeto que autoriza a união civil entre pessoas do mesmo sexo, já que enfrenta forte resistência do NCD, pequeno partido conservador que é essencial para garantir a maioria do governo no Senado.   

Nas últimas semanas, a sigla tem pressionado para o centro-esquerdista Partido Democrático (PD), liderado por Renzi, retirar os artigos referentes a esse tema. Por outro lado, o oposicionista Movimento 5 Estrelas (M5S) ameaçou não votar a medida, como havia prometido, se ela for "empobrecida".   

Apesar de toda a polêmica, o projeto de autoria da senadora Monica Cirinnà continua vetando a adoção de crianças por casais homossexuais. (ANSA)
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