Hillary e Sanders trocam acusações em novo debate

WASHINGTON, 5 FEV (ANSA) - Os dois principais pré-candidatos democratas à Presidência dos Estados Unidos, Hillary Clinton e Bernie Sanders, enfrentaram-se na noite de ontem (4) em um dos debates mais calorosos da campanha até o momento, com troca de acusações e discussões sobre pena de morte, Wall Street e política externa. Foi a primeira vez que a ex-primeira-dama e o senador por Vermont se enfrentaram téte-à-téte, já que o terceiro pré-candidato democrata, Martin O'Malley, desistiu na segunda-feira (1) da corrida eleitoral, após conquistar poucos votos no caucus de Iowa. A tensão entre Hillary e Sanders ficou evidente no debate porque, em Iowa, a contagem de votos deu praticamente um empate técnico de 49,89% de vantagem da ex-secretária de Estado contra 49,54% do senador. Durante o debate, ocorrido a quatro dias das próximas primárias de New Hampshire, os dois expuseram claramente suas ideologias e projetos de governo.   

Enquanto Hillary defendeu a pena de morte, Sanders disse estar "em profundo desacordo com o modo com que muitos estados atuam" e que o governo "não deve fazer parte de um homicício".   

O argumento de Hillary, por sua vez, foi que é preciso ter uma "punição adequada" a "um certo número de crimes muito limitados e hediondos".   

A ex-primeira-dama também atacou duramente o projeto de saúde de Sanders que prevê acesso gratuito e universal. De acordo com Hillary, a proposta é "irrealista". "Não faço promessas que não posso manter", alfinetou. Outro ponto de desacordo foi a normalização das relações diplomáticas entre os EUA e o Irã. Apesar de Hillary e Sanders apoiarem o acordo fechado entre Teerã e as potências ocidentais, liderado pela gestão democrata de Barack Obama, a ex-secretária de Estado considera um erro retomar imediatamente as relações com um país que, segundo ela, suporta o terrorismo. Já Sanders disse que nunca achou que o país deveria normalizar as relações "amanhã", mas que é necessário "andar adiante".   

Apresentando-se como o candidato da mudança, Sanders criticou as empresas, grandes coorporações e bancos nos Estados Unidos. "A classe média salvou Wall Street quando foi necessário e agora é o momento de Wall Street ajudar a classe média", comentou o senador, referindo-se aos resgates do governos a instituições financeiras que quase faliram na bolha imobiliária de 2008.   

Além disso, Sanders insinuou os pagamentos que Hillary teria recebido por palestrar a companhias de Wall Street, como o banco Goldman Sachs. "Hillary tem o apoio de quase todo o 'establishment'. Hillary representa o 'establishment', eu represento os cidadãos norte-americanos comuns", declarou o senador.   

Sanders ainda ressaltou ser uma das opções mais progressistas dentro do Partido Democrático e que, por muito tempo em sua carreira, atuou como político independente. "Gostaria de ver mudanças no partido para torná-lo mais próximo da classe trabalhadora", disse. Um dos únicos temas em que os dois candidatos concordaram foi sobre a impossibilidade de enviar mais tropas norte-americanas ao Oriente Médio. Hillary disse que esta opção está "fora de discussão", enquanto Sanders afirmou que o ideal seria ter tropas de países muçulmanos lutando na Síria e no Iraque contra o Estado Islâmico. Para eles, o papel de Washington deveria se limitar ao fornecimento de assitência, armas e forças especiais.   

Apesar de ter ficado atrás de Hillary em Iowa, Sanders foi considerado vitorioso por conseguir uma margem tão pequena de diferença de votos, deixando a ex-secretária de Estado em uma posição desconfortável. Pesquisas preliminares indicam que Sanders chegará às primárias de New Hampshire com uma vantagem considerável, possivelmente de até 20 pontos percentuais. Mas as enquetes de nível nacional ainda colocam Hillary como favorita à Casa Branca. (ANSA)
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