ONU diz que prisão de Assange é arbitrária e exige soltura

GENEBRA, 5 FEV (ANSA) - Um comitê das Nações Unidas considerou nesta sexta-feira (5) arbitrária e equívoca a maneira como o fundador do WikiLeaks, o australiano Julian Assange, fora detido em Londres. Ele comemorou a conclusão do relatório através de uma videoconferência. O comitê, que analisou particularmente o caso de Assange, emitiu um comunicado com um parecer sobre a situação do australiano, que se encontra há mais de três anos anos refugiado dentro da embaixada do Equador na capital inglesa. Ele corre o risco de ser preso caso deixe a sede diplomática, já que responde por processos de abuso sexual na Suécia e a Interpol o colocou em sua lista de procurados. Em 31 de maio de 2012, o Reino Unido aprovou sua extradição à Suécia. Assange teme que, se for enviado ao país, as autoridades o mandarão novamente aos Estados Unidos, onde é acusado de crimes contra a nação por divulgar segredos e documentos diplomáticos através do seu site WiliLeaks.   

O grupo de especialistas das Nações Unidas pediu que a Suécia e o Reino Unido soltem o ativista. De acordo com o comitê, além de ser libertado, Assange tem o direito de ser ressarcido. A ONU disse que Londres e Estocolmo precisam respeitar a integridade física e a liberdade de movimento do australiano.   

Para o grupo da ONU, o fundador do WikiLeaks foi submetido a diversas formas de privação de liberdade, desde sua detenção inicial na prisão de Wandsworth, em 2010.   

Assange foi preso e, depois mandado à prisão domiciliar. Por fim, refugiou-se na embaixada equatoriana em 2012, após perder seu processo de apelo junto à Corte Suprema do Reino Unido contra sua extradição à Suécia.   

O governo do Reino Unido, no entanto, recusou-se a aceitar as conclusões do comitê da ONU, formado por cinco juristas independentes que compõe o Grupo de Trabalho das Nações Unidas sobre Detenções Injustas. Londres disse que não pretende libertar Assange e que as avaliações do painel da ONU não "mudam nada". Um porta-voz do Foreign Office ressaltou que o país vai "contestar formalmente este parecer". O secretário de Política Externa britânico, Philip Hammond, definiu o relatório do comitê como "ridículo". "Assange pode sair da embaixada quando quiser, mas deverá responder à Justiça da Suécia se decidir fazer isso", completou.   

Ontem, Assange disse que estava disposto a se entregar às autoridades caso o comitê da ONU concluísse que sua situação não configura uma detenção ilegal. (ANSA)
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