Italiano morto no Egito sofreu golpe no pescoço

ROMA, 07 FEV (ANSA) - A autópsia do pesquisador italiano Giulio Regeni, encontrado morto no Egito na última quarta-feira (3), indica que ele faleceu por causa da fratura de uma vértebra cervical provocada por um "violento golpe no pescoço".   

O exame, feito no Instituto Médico Legal da Universidade La Sapienza, em Roma, durou quase cinco horas e também comprovou a existência de outras lesões espalhadas pelo corpo da vítima, embora não tenha identificado sinais de abuso sexual. No entanto, segundo fontes ouvidas pela ANSA, apenas novos testes de laboratório que serão realizados nos próximos dias poderão dar uma confirmação definitiva. A fratura da coluna cervical de Regeni, causada quase certamente por uma "torção não natural" do pescoço do italiano por uma pessoa que estava de frente para ele, teve como consequência uma crise respiratória, à qual se seguiu a morte. "Tivemos de ver nos resultados da autópsia algo de desumano, animalesco, uma violência inaceitável", declarou o ministro do Interior da Itália, Angelino Alfano.   

O pesquisador foi encontrado morto no Cairo após quase 10 dias desaparecido. Seu corpo tinha sinais de tortura, marcas de ferida e estava totalmente nu na parte de baixo. Natural de Fiumicello, Regeni viajara ao Egito para desenvolver uma tese sobre economia, mas também contribuía com o jornal comunista italiano "Il Manifesto".   

Em seu último artigo, publicado após sua morte, ele acusa o presidente egípcio, Abdel Fatah al Sisi, de obter o controle do Parlamento com o "maior número de policiais e militares da história do país, enquanto o Egito está na parte inferior de todas as classificações mundiais sobre respeito à liberdade de imprensa".   

A matéria também mostra como sindicatos independentes tentam manter-se vivos na nação africana, que permite a existência de uma única entidade sindical, a Etuf, fiel a Sisi. Além disso, Regeni diz em seu texto que o presidente assumiu o poder graças a um golpe militar, o mesmo que derrubou Mohamed Morsi, ligado à Irmandade Muçulmana. Antes de morrer, ele pediu para o jornal publicar o artigo sob um pseudônimo. (ANSA)
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