Em encontro histórico, Papa e Cirilo pregam união cristã

HAVANA, 12 FEV (ANSA) - "Finalmente!", foi a exclamação do papa Francisco ao ver o patriarca de Moscou, Cirilo I, na primeira reunião na história entre os líderes das igrejas Católica e Ortodoxa Russa.   

"Somos irmãos", disse o Pontífice logo em seguida, em espanhol.   

Em certo ponto, Cirilo afirmou: "Agora as coisas serão mais fáceis". Como resposta, Jorge Bergoglio declarou: "Está claro que essa é a vontade de Deus".   

O inédito encontro começou logo após o desembarque do Papa no Aeroporto Internacional José Martí, em Havana, capital de Cuba.   

Ao descer do avião da Alitalia que o levou, Francisco foi recebido pelo presidente Raúl Castro, que o acompanhou até o local do cara a cara com o líder ortodoxo.   

Os dois religiosos se cumprimentaram com um afetuoso abraço e beijos no rosto. A reunião durou cerca de duas horas, ao fim das quais eles trocaram presentes, fizeram um breve discurso para a imprensa e assinaram uma declaração conjunta, acertada previamente pelos assessores diplomáticos de ambos os lados.   

Jorge Bergoglio deu ao colega um relicário com uma relíquia de São Cirilo e um cálice. Já o chefe ortodoxo entregou ao argentino uma cópia da "Mãe de Deus de Kazan", um dos principais ícones do Patriarcado de Moscou e venerada em toda a Rússia.   

"Foram tantas as dificuldades, mas nos últimos 10 anos tentamos superá-las. Ainda que muitas dessas dificuldades não tenham desaparecido, hoje temos a possibilidade de preencher nossos corações", afirmou Cirilo I. Já com a imprensa presente, Francisco agradeceu ao povo cubano e a Raúl Castro e disse que, se Cuba continuar nesse caminho, será uma espécie de "capital da união".   

A declaração conjunta assinada pelos líderes expressa a vontade de ambos de que o encontro contribua para o "restabelecimento dessa unidade desejada por Deus e pela qual Cristo rezou".   

"Pedimos à comunidade internacional que aja urgentemente para evitar novas expulsões de cristãos do Oriente Médio", diz o texto, que também cobra ajuda humanitária às áreas de Síria e Iraque afetadas pela violência e pelo terrorismo, bem como aos refugiados que vivem nos países limítrofes.   

O documento ainda aborda temas como a luta contra a pobreza e pela preservação do meio ambiente, duas das principais bandeiras de Bergoglio. Além disso, defende que a família se baseia no matrimônio, um "ato livre e fiel de amor entre um homem e uma mulher".   

"Lamentamos que outras formas de convivência sejam hoje colocadas no mesmo nível dessa união, enquanto o conceito de paternidade e maternidade como vocação particular do homem e da mulher no matrimônio, santificado pela tradição bíblica, é deposto pela consciência pública", ressalta a declaração conjunta.   

"Nós conversamos como irmãos, temos o mesmo batismo, somos bispos. Falamos das nossas igrejas e entramos em acordo sobre o fato de que a união se constrói caminhando. Falamos claramente, sem meias palavras", afirmou o Papa.   

Segundo o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, a reunião é um "grande sinal de esperança" e um "momento que dá coragem e ânimo para continuar tentando construir mais relações de ponte, encontro e diálogo".   

Apenas neste ano de Jubileu da Misericórdia, o Papa já visitou a Sinagoga de Roma, recebeu convite para ir à Grande Mesquita da capital italiana, anunciou que viajará, em outubro, à Suécia para as celebrações pelos 500 anos da Reforma Luterana e se reuniu com Cirilo I. E estamos somente em fevereiro.   

O encontro acontece em um momento no qual Jorge Bergoglio tem insistido na questão da união entre os cristãos, principalmente por conta das perseguições no Oriente Médio e na África pelo jihadismo islâmico. Após a histórica aparição ao lado do patriarca, Francisco segue para o México, onde ficará até o dia 18 de fevereiro. (ANSA)
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