Europa não pode existir se construir muros, diz Tsipras

ATENAS, 12 FEV (ANSA) - O primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, afirmou nesta sexta-feira (12) que a Europa não pode continuar existindo se insistir em construir muros, em uma clara referência à crise imigratória que atinge o continente. O político grego recebeu em Atenas a presidente da Câmara dos Deputados da Itália, Laura Boldrini.   

"Não pode existir uma Europa com muros porque o problema são as pessoas que estão morrendo no mar. A União Europeia está assolada de partidos de extrema-direita e, se não mudar, corre o risco de vê-los cada vez mais fortes", disse o premier.   

Por sua vez, Boldrini criticou a postura da entidade com os gregos e elogiou a conduta humanista do governo de Atenas.   

"A Grécia está fazendo um esforço enorme para respeitar seus compromissos na identificação dos solicitantes de asilo, enquanto a UE não respeita os seus próprios compromissos com este país porque o sistema de realocação ainda não funciona como deveria e porque alguns países decidiram não fazer a sua parte", destacou a italiana.   

Os líderes europeus acusam a Grécia de facilitar a entrada de estrangeiros e não fazer um controle adequado de suas fronteiras. Porém, o país alega que recebe a maior parte do fluxo de imigrantes - foram mais de 800 mil em 2015 - e que não pode fazer tudo sozinha.   

Poucas horas após o encontro com Boldrini, Tsipras recebeu a notícia de que o Conselho Europeu adotou formalmente as recomendações relativas ao Tratado de Schengen e pediu para a Grécia sanar os "graves problemas" na gestão das fronteiras externas.   

Com isso, Atenas terá três meses para corrigir a gestão. Caso contrário, é possível que a União Europeia ative o artigo 26 de sua constituição e passe a exigir documentos na chegada de estrangeiros em qualquer porta de entrada aos países-membros do bloco, fato inédito na história da UE.   

- Encontro com o presidente: Laura Boldrini ainda encontrou em Atenas o presidente do país, Prokopis Pavlopoulos, ao qual agradeceu a maneira que os gregos estão gerenciando a crise imigratória.   

"Estamos felizes sobre como eles estão enfrentando essa crise.   

Da Grécia, vem uma lição de correção da aplicação do direito humanitário e de humanidade. A Grécia não é um país periférico, mas o coração da Europa", finalizou Boldrini após o encontro.   

(ANSA)
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