Potências chegam a acordo para cessar-fogo na Síria

MÔNACO, 12 FEV (ANSA) - Representantes das principais potências mundiais anunciaram um acordo nesta sexta-feira (12) de um cessar-fogo na Síria dentro de sete dias. Este seria o primeiro passo contra a guerra civil local, em vigor desde 2011, quando a Primavera Árabe foi deflagrada. O anúncio foi feito pelo secretário de Estado norte-americano, John Kerry, na Alemanha, onde as potências estão reunidas em torno do International Syria Support Group (ISSG). Além da previsão do fim das hostilidades em sete dias, o acordo garante o acesso à ajuda humanitária já neste fim de semana através de um task force que será montado pelas Nações Unidas.   

O cessar-fogo, porém, não se estende à luta contra grupos extremistas como o Estado Islâmico (Ex-Isis) e a Frente al-Nusra. Assim, o fim das hostilidades ficam restritas ao regime de Bashar al-Assad e aos grupos opositores rebeldes. "Quanto mais o conflito dura, mais os extremistas se aproveitam dele", disse Kerry, ressaltando que todos os países no momento entendem a importância deste acordo.   

As negociações para o acordo foram intensas e tomaram várias madrugadas. No início, a Rússia defendia um cessar-fogo a partir de 1 de março, enquanto os Estados Unidos e a União Europeia queriam o fim dos combates imediatamente. "Tomamos medidas em dezembro, medidas para facilitar a trégua e decisões para permitir o acesso humanitário. Isso será implementado imediatamente", disse a alto representante de política externa da UE, a italiana Federica Mogherini, antes de se reunir com o chanceler russo, Sergey Lavrov, e com o enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura. A Itália também concordou que a solução para a crise síria deve ultrapassar as medidas militares. "A trégua precisa ser imediata ou, pelo menos, muito rápida. Vimos que a situação se complica com o passar dos dias e das semanas", comentou o ministro italiano das Relações Exteriores, Paolo Gentiloni. "A escalada militar russa dos últimos 15 dias não resolveu a crise política nem humanitária na Síria. Por isso, fazemos um apelo a Moscou para compartilhar a ideia de um cessar-fogo construtivo", pontuou o chanceler. Já o líder da oposição russa, Riad Hidschab, pediu que o regime do ditador Bashar al-Assad interrompa os ataques contra a população.   

O acordo foi assinado por 17 países do ISSG em Munique e vem em um momento em que o Exército sírio avança sobre a província de Aleppo, com o apoio aéreo da Rússia, que iniciou operações militares no país no fim de 2015, a pedido de Assad. Já em Bruxelas, o secretário de Defesa norte-americano, Ashton Carter, apresentou o plano detalhado da nova fase da campanha contra o Estado Islâmico. Nesta etapa, o objetivo principal é reconquistar as cidades de Mosul e Raqqa. Carter pediu aos aliados da coalizão internacional de aumentarem suas contribuições efetivas em um mês. Em cinco anos de conflitos na Síria, 11,5% da população (cerca de 260 mil pessoas) foi morta ou ficou ferida, de acordo com dados do Syrian Centre for Policy Research. Metade dos moradores da Síria foi obrigada a deixar o país em busca de refúgio. (ANSA)
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