Egito desmente prisão de italiano achado morto no Cairo

CAIRO, 15 FEV (ANSA) - Por meio de um comunicado oficial, o Departamento de Informação do Ministério do Interior do Egito desmentiu nesta segunda-feira (15) as notícias divulgadas pela imprensa ocidental de que o pesquisador italiano Giulio Regeni, encontrado morto no Cairo no último dia 3 de fevereiro, teria sido detido pelos serviços de segurança do país antes de seu assassinato.   

Segundo a nota, alguns veículos divulgaram "informações completamente errôneas sobre as condições do desaparecimento" do estudante. "Uma grande equipe de investigação está encarregada de desvendar as circunstâncias do homicídio e esse time coopera plenamente com os italianos", diz o texto.   

No sábado passado (13), o jornal norte-americano "The New York Time" publicou que Regeni havia sido detido por policiais egípcios no dia 25 de janeiro, data de seu desaparecimento. Além disso, ele teria reagido "bruscamente" à prisão, motivada por contatos encontrados no seu celular ligados à Irmandade Muçulmana e ao Movimento 6 de abril, inimigos do governo do presidente Abdel Fatah al Sisi.   

Inicialmente, a morte do pesquisador era tida como crime comum, mas aos poucos começou a ganhar contornos de assassinato político, colocando à prova as boas relações entre Itália e Egito. Regeni estava no Cairo para uma tese acadêmica sobre a economia local e sindicatos independentes, mas também contribuía com o jornal comunista "Il Manifesto". Antes de sumir, ele chegou a enviar um artigo - publicado após sua morte -, pedindo para o diário usar um pseudônimo.   

Além disso, pessoas próximas ao italiano alegaram que ele estava com "medo", ainda mais depois de ter sido fotografado em uma assembleia sindical no Egito. A suspeita é que a polícia o tenha confundido com um espião, uma vez que ele participava ativamente da vida dessas entidades independentes.   

O corpo do pesquisador de 28 anos foi encontrado com sinais de tortura, incluindo as duas orelhas mutiladas e duas unhas arrancadas. Ele era natural de Fiumicello, no norte da Itália, e foi enterrado na última sexta-feira (12), em uma cerimônia com mais de 3 mil pessoas. (ANSA)
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