Debate sobre união civil volta a agitar Senado italiano

ROMA, 16 FEV (ANSA) - Em mais um capítulo sobre a polêmica lei de união civil gay na Itália, o Senado registrou fortes discussões nesta terça-feira (16) e precisou interromper a sessão, que será retomada somente amanhã. Os principais confrontos vieram da Liga Norte, que atacou a proposta de união civil, e do próprio governista Partido Democrático, que tem ficado cada vez mais dividido sobre o tema.   

O senador renziano Andrea Marcucci tentou usar uma manobra chamada "canguru" para eliminar a votação de mais de 780 emendas da oposição, mas não conseguiu chegar a um acordo. A manobra "canguru", que já foi usada na história da Itália, permite acoplar todos as emendas em uma única análise e votá-las de uma vez. Chamada de Projeto de Lei Cirinnà, em referência à sua autora, a senadora Monica Cirinnà, a nova legislação poderá permitir a união civil de casais homossexuais, assim como a adoação de filhos. A proposta tem sido duramente criticada por parlamentares católicos, já que a Itália é um dos países mais conservadores e o Vaticano fica dentro de seu território geográfico. O texto do projeto de lei inclui o reconhecimento da união civil de casais homossexuais e altera alguns direitos e deveres inclusive de pares heterossexuais. Caso aprovado, o estatuto de união civil permitirá que qualquer casal adulto, independentemente do sexo, una-se na presença de uma testemunha e tenha os mesmos direitos que um casal heterossexual matrimonial (como heranças e bens). Os críticos do projeto dizem que a união civil acaba equiparando as relações ao matrimônio. Além disso, o principal ponto de desacordo entre os parlamentares, e o mais polêmico, é o direito aos casais homossexuais adotarem filhos dos parceiros (stepchild adoption). Isto só seria permitido, porém, na ausência do pai/mãe biológico - a adoção por casais do mesmo sexo continuaria proibida--.   

Este trecho do projeto encontra grande resistência no Parlamento italiano, inclusive dentro da própria legenda governista, o Partido Democrático (PD) do premier Matteo Renzi, de centro-esquerda. O projeto de lei já começou a ser apreciado pelo Senado italiano e há dias as discussões tem sido calorosas. Na semana passada, a Conferência Episcopal Italiana (CEI) e seu presidente, o cardeal Angelo Bagnasco, tentaram interferir nos debates políticos e provocaram reações de Renzi. "Sobre o voto, quem decide é o Parlamento, e digo isso com estima pelo cardeal Bagnasco", disse o premier. (ANSA)
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