Tese pode ter sido causa de assassinato de italiano no Cairo

ROMA, 16 FEV (ANSA) - Os investigadores italianos estão analisando se o pesquisador Giulio Regeni, encontrado morto no Cairo no último dia 3, foi assassinado por motivos ligados ao seu trabalho.   

Segundo o inquérito, a análise dos dados do computador do italiano mostrou que ele tinha uma rede de cerca de 30 contatos frequentes, com os quais trocava informações sobre sua tese sobre a política egípcia e a repressão de opositores. Ainda não se sabe quem teria matado o pesquisador, mas seu corpo apresentava sinais de tortura e a causa da morte foi um "violento golpe no pescoço".   

Os investigadores acreditam que Regeni foi morto, justamente, por essas informações recolhidas e que elas podem ter caído tanto nas mãos dos "acusados" por ele como na de pessoas que poderiam utilizar os dados para vendê-los ao governo.   

Os estudos do italiano começaram a partir da revolução "Primavera Árabe", ocorrida em 2011, e como o Egito se desenvolveu a partir dela. Uma das pessoas mais próximas ao italiano, a professora Maha Abdelrahman, explicou aos procuradores que os estudos do italiano se tornaram "muito participativos", mas ela não soube dizer se isso pode ter determinado o fim de Regeni.   

O pesquisador viajara ao Egito para desenvolver uma tese sobre economia, mas também contribuía com o jornal comunista italiano "Il Manifesto". Em seu último artigo, publicado após sua morte, ele acusa o presidente egípcio, Abdel Fatah al Sisi, de obter o controle do Parlamento com o "maior número de policiais e militares da história do país, enquanto o Egito está na parte inferior de todas as classificações mundiais sobre respeito à liberdade de imprensa". A matéria também mostra como sindicatos independentes tentam se manter vivos na nação africana, que permite a existência de uma única entidade sindical, a Etuf, fiel a Sisi. Além disso, Regeni diz em seu texto que o presidente assumiu o poder graças a um golpe militar, o mesmo que derrubou Mohamed Morsi, ligado à Irmandade Muçulmana. Antes de morrer, ele pediu para o jornal publicar o artigo sob um pseudônimo. (ANSA)
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