Antes de deixar o México,Papa pede fim do tráfico de pessoas

CIUDAD JUAREZ, 18 FEV (ANSA) - Em seu último compromisso no México, o papa Francisco condenou o tráfico de pessoas e pediu o fim do que chamou de "tragédia humana" causada pela "imigração forçada". Ele celebrou uma missa em Ciudad Juarez, em um altar construído a apenas 80 metros da fronteira com os Estados Unidos, nesta quarta-feira (17).   

"Aqui em Ciudad Juarez, como em outras zonas de fronteira, concentram-se milhares de imigrantes da América Central e de outros países - sem esquecer de tantos mexicanos que buscam passar para o outro lado. Uma passagem, um caminho de terríveis injustiças. Escravizados, sequestros, abandonados e extorquidos, muitos de nossos irmãos são objeto do comércio de trânsito humano", denunciou o Pontífice.   

Para ele, a sociedade "não pode negar a crise humanitária" que está sendo causada pela imigração forçada de pessoas "seja de trem, seja de carro, seja a pé atravessando centenas de quilômetros, desertos e estradas inóspitas". O comentário foi também uma clara referência à crise imigratória que atinge a Europa, não apenas aos EUA, uma dos principais temas debatidos pelo Pontificado de Jorge Mario Bergoglio em diversos momentos.   

Segundo o sucessor de Bento XVI, "não é possível medir em cifras" o fenômeno global do deslocamento forçado de pessoas.   

"Nós queremos medi-la com nomes, histórias e famílias. São irmãs e irmãos que partem fugindo da pobreza e da violência, do narcotráfico e do crime organizado", disse o líder católico em uma das cidades mais violentas do México, onde há uma grande rede ilegal de passagem de imigrantes para o Texas.   

"De frente a tantas lacunas legais, há uma rede de captura e destruição daqueles sempre mais pobres. Não sobre apenas com a pobreza, mas com formas de violência. Injustiça que se radicaliza nos jovens que, como carne de matadouro, são perseguidos e ameaçados quando tentam sair da espiral de violência e do inferno das drogas", ressaltou o Papa destacando a situação das mulheres, que "sofrem com a violência que tira vidas injustamente".   

Para Francisco, é momento de dizer "chega às mortes e à exploração" na sociedade global porque há sempre tempo de mudar.   

Ao fim da homilia, o Santo Padre dirigiu-se com uma saudação aos fiéis que acompanhavam a missa do lado norte-americano, em El Paso, entre o quais muitos que estavam no estádio Sun Bowl. "Com a ajuda da tecnologia, podemos rezar, cantar e festejar o Deus misericordioso juntos e nenhuma fronteira poderá nos dividir.   

Obrigado por nos fazer uma única família e uma única comunidade cristã", finalizou.   

Bergoglio deixou o México com destino à Roma ainda na noite desta quarta após cinco dias de viagem. A presença do Pontífice no país foi marcada por gestos contra a violência que assola a nação mexicana por culpa do narcotráfico e do crime organizado e um "ar de esperança" para os mais pobres - sempre alvos das preces e das falas do líder da Igreja Católica.   

- Hillary e Trump Os pré-candidatos norte-americanos à Presidência manifestaram-se sobre a visita do Papa ao México. O tema da imigração é um dos maiores pontos dos acalorados debates entre os postulantes ao maior cargo político dos EUA.   

A democrata Hillary Clinton postou em seu Twitter um agradecimento ao argentino. "Obrigada pelo Papa ter visitado a fronteira e pedido por uma reforma na imigração. Nós precisamos manter as famílias juntos e não separadas", afirmou a pré-candidata que, assim como Barack Obama, defende uma reforma mais abrangente do assunto.   

Já o polêmico republicano Donald Trump, que pretende construir um muro na fronteira para impedir a imigração, voltou a criticar Francisco. Segundo ele, Francisco é "manipulado" pelo governo do México.   

Em resposta, o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, afirmou que "o Papa fala sempre em todo o mundo dos problemas da migração e os deveres que temos para tentar solucionar esses problemas de um modo humano". (ANSA)
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