Em reunião decisiva, Europa está dividida sobre a imigração

BRUXELAS E ROMA, 18 FEV (ANSA) - No dia em que a Europa vai iniciar o debate mais importante sobre a crise imigratória no continente, os líderes da União Europeia estão divididos.   

De um lado, está a chanceler alemã Angela Merkel e sua luta para uma "política de portas abertas" - e que conta com o apoio, em maior ou menor grau da Itália e da França e de outros oito membros. Do outro, os países que formam o grupo Viségraad (V4) - Hungria, Polônia, República Tcheca e Eslováquia - que pedem a construção de um muro entre Grécia e Macedônia e o fim da entrada de imigrantes ilegais em seus territórios.   

Para o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, o tempo "dará razão para Merkel". "A política representada por ela e por mim, ao fim, será imposta. É próprio da força de uma liderança dizer: vamos fazer. Todo o resto é cair perante aos populistas", ressaltou Juncker.   

A alemã vai liderar o grupo de 10 países que apostam em criar um novo pacto com a Turquia - de onde partem os barcos ilegais com destino, principalmente, à Grécia - para fornecer mais ajuda financeira e minimizar a quantidade de pessoas que fazem as travessias pelo Mar Mediterrâneo. Atualmente, mais de dois milhões de sírios estão no território turco e o país ainda é a rota favorita dos traficantes de pessoas para atingir as ilhas gregas e italianas.   

O problema é que esse grupo ameaça ruir se o fluxo não for reduzido. A Áustria, por exemplo, anunciou nesta quarta-feira (17) que não receberá mais do que 80 pedidos de asilo por dia.   

Segundo a ministra austríaca do Interior, Johanna Mikl-Leitner, haverá ainda a limitação de 3,2 mil pessoas por dia para a circulação daqueles "que buscam encontrar tutela internacional em um Estado fronteiriço".   

A representante ainda afirmou que "é importante que alguns países que estão na rota balcânica ajam de maneira restritiva nas fronteiras". Porém, em carta, o comissário europeu para a Imigração, Dimitris Avramopoulos, informou que o teto desejado pelos austríacos "é claramente incompatível com as obrigações em respeito às leis internacionais e da UE".   

Outro ponto polêmico do plano de Merkel é uma nova rodada de "cotas de imigrantes", para redistribuir todos aqueles que chegaram após a primeira decisão. Essa medida não atrai apoio total nem mesmo da Comissão Europeia, que pede que, antes de implantar novos números, é preciso respeitar todos os acordos já firmados anteriormente.   

"Para nós da Comissão, o ponto-chave é sempre o mesmo.   

Precisamos aplicar aquilo que já foi decidido nos acordos naquilo que define a redistribuição e outros pontos já debatidos", destacou Juncker.   

- Encontros paralelos: Além do encontro que será realizado na noite de hoje e que segue pela sexta-feira (19), Angela Merkel terá uma reunião específica com o primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras. No encontro, participaria ainda o premier da Turquia, Ahmet Davutoglu, mas ele cancelou sua participação por causa do atentado terrorista ocorrido nesta quarta-feira (17) em Ancara.   

A decisão de fazer essa reunião tem como objetivo não deixar a Grécia isolada na questão da imigração. Isso porque os membros do V4 vão pressionar para que o bloco tome medidas mais severas contra o governo de Atenas.   

Os gregos já estão em um período de "alerta" de três meses para uma melhoria em seus controles de fronteira e no cadastro de imigrantes que chegam ao país para tentar alcançar outras nações europeias. A "punição" foi dada pela Comissão Europeia, após reuniões com ministros, sobre a possível ativação do artigo 26 do Tratado de Schengen. Caso seja implementado, pelos próximos dois anos, todos os estrangeiros e moradores dos países da União Europeia precisarão passar por controles de imigração.   

- Itália está preparada 'para todos os cenários': O ministro italiano do Interior, Angelino Alfano, informou que o governo da Itália "está se preparando para todos os cenários possíveis". Porém, ele ressaltou que "vai impedir que a Europa fique batendo cabeça contra um muro".   

"Sobre a disputa da imigração, a Europa corre o risco de chegar ao seu fim. Tendo entendido em atraso qual era a solução, agora não se pode andar na direção errada porque algum país, pelas mais variadas razões, está com medo ou temendo", ressaltou.   

A Itália cobra uma posição mais firme da União Europeia e no sentido de acolher aqueles que necessitam de ajuda. Desde o início do fluxo intenso de pessoas para o continente, ocorrido em 2013, os italianos têm sido uma das principais portas de entrada para os imigrantes ilegais. O governo de Matteo Renzi ainda cobra que os países aceitem as cotas de imigração e as implementem o mais rápido possível - Números: Segundo dados da Organização Mundial para a Migrações (OIM) e o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), mais de um milhão de imigrantes chegaram à Europa em 2015. Mais de 844 mil chegaram ao continente através da Grécia e 152,7 mil foram pela Itália. Além disso, 3.592 pessoas morreram ou desapareceram durante as travessias pelo Mar Mediterrâneo durante esse período. Quase 50% dos estrangeiros eram provenientes da Síria, 21% do Afeganistão e 8% do Iraque - regiões que enfrentam a violência de grupos terroristas como Estado Islâmico (EI, ex-Isis) e dos talibãs. Já até o dia 16 de fevereiro de 2016, mais de 84 mil pessoas já fizeram a travessia, mesmo com o pior período climático para a travessia.   

Mais de 78,3 mil foram à Grécia e 5,9 mil à Itália, sendo que 410 já morreram ou desapareceram no mar. O maior problema do V4 com a Grécia ocorre após a chegada dos estrangeiros às suas ilhas. A conhecida "Rota dos Balcãs" é a que conta com maior deslocamento de pessoas, sendo que depois que saem do país elas partem a pé em uma rota pela Macedônia, Sérvia, Croácia, Eslovênia para chegar à Áustria ou a Alemanha. (ANSA)
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